Com poucas surpresas esperadas nas principais categorias da 89ª edição do Oscar, que ocorre no próximo domingo, a grande questão que se aproxima é relativa a atos de protesto contra o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump. Se os discurso em premiações forem um preparatório para o Oscar, o republicano deve ficar com seu dedo preparado para dar respostas em seu perfil no Twitter.

A temporada de prêmios deste ano foi marcada pelos mais fortes discursos políticos na comparação com outras temporadas na história recentes. Produtores do musical La La Land, que ressaltam que o filme é o último bastião da liberdade de expressão; diretores da animação Zootopia, que se destaca com uma história alternativa sobre preconceito; e Salmon Rushdie, Gloria Steinem e Dr. Oz estão entre os que podem se manifestar contra Trump. Todos são citados em uma campanha que indica Lion, um dos indicados ao prêmio de melhor filme, como o longa mais relevante em um momento de intensos debates sobre imigração.

O apresentador da cerimônia, Jimmy Kimmel, disse que não se intimidará ao fazer piadas que satirizam o presidente dos EUA. O principal candidato a levar o prêmio de melhor ator em papel coadjuvante, Mahershala Ali, de Moonlight, criticou repetidamente as políticas de Trump em discursos feitos em outras premiações. Já Raed Saleh, que participa do documentário The White Helmets, sobre um grupo de resgate sírio, disse que irá à cerimônia do Oscar e que vê o palco da festa como “uma importante plataforma para as vozes de crianças e mulheres sírias presas no país”.

Motivos políticos também podem influenciar os vencedores da premiação. Na categoria de melhor filme em língua estrangeira, a comédia alemã Toni Erdmann passou seu favoritismo ao filme iraniano The Salesman. O diretor do novo favorito, Asghar Farhadi, disse que não irá comparecer ao Oscar após perguntas sobre se poderá entrar no país após o decreto anti-imigração assinado por Trump. Os dois atores principais do longa iraniano, Shahab Hosseini e Taraneh Alidoosti, também falaram que não participarão da cerimônia, em forma de protesto.

Os comentários políticos da atual temporada de premiações começaram em novembro do ano passado, mas aumentaram consideravelmente após a crítica de Meryl Streep endereçada a Trump no Globo de Ouro, realizado em janeiro. O presidente respondeu à atriz em seu perfil to Twitter, acusando-a de ter uma relação com a democrata Hillary Clinton e dizendo que a atriz era “superestimada”. Streep estará presente no Oscar, onde concorre ao prêmio de melhor atriz em papel coadjuvante pelo filme Florence: Quem é Essa Mulher?, sendo a vigésima indicação de sua carreira. Fonte: Dow Jones Newswires.