Foto: Átila Alberti
Bendhack (esquerda) coordena o projeto da PUCPR.

Garantir a sobrevivência de duas espécies ameaçadas pela pesca predatória e pela poluição das águas é o objetivo de dois projetos liderados pela Pontifícia Universidade Católica do Paraná (PUCPR). Os trabalhos têm o apoio da Secretaria de Ciência, Tecnologia e Ensino Superior do Governo do Paraná (Seti) e foram iniciados em 2005. Além do caráter ambiental, os projetos também envolvem aspectos sociais, já que o trabalho é feito com a aproximação das comunidades pesqueiras.

O projeto Robalos é realizado na Baía de Guaratuba, já que é na região de estuário (encontro de águas doce e salgada) que a espécie se desenvolve melhor. Em janeiro, foram lançados à água 30 mil alevinos de robalos, que devem levar em média 2 anos para se tornarem adultos.

Segundo Fabiano Bendhack, coordenador do projeto, o trabalho da equipe da PUCPR funciona em três frentes. A primeira começou a atuar em 2005 e consiste na produção e cultura dos alevinos, que é feita em laboratório. ?As matrizes utilizadas para a produção em laboratório foram retiradas da própria Baía de Guaratuba. Ainda em uma primeira fase, os alevinos passam por um monitoramento genético para que o crescimento deles possa ser acompanhado?, explica. Uma vez produzidos os alevinos, o projeto chega à segunda etapa. Com o tamanho aproximado de quatro centímetros eles estão prontos para ser lançados ao mar. Destes, a expectativa é de que no máximo 5% cheguem à vida adulta. Daí a importância do acompanhamento do crescimento deles por meio do monitoramento genético.

Na terceira etapa do projeto, os pesquisadores contam com o apoio de praticantes de pesca marítima, que transitam no Iate Clube de Guaratuba. Na prática do esporte, eles ganham mais pontos ao pegar peixes vivos e são esses que serão analisados.

Jundiás também são defendidos

Paralelo ao projeto Robalo, a Pontifícia Universidade Católica do Paraná (PUCPR) desenvolve outro trabalho em parceria com a Secretaria de Ciência, Tecnologia e Ensino Superior do Governo do Paraná (Seti). Trata-se do projeto Jundiá, que prevê o repovoamento das nascentes do Rio Iguaçu com esta espécie de peixe. Devido ao excesso de poluição nas águas doces, os jundiás estão desaparecendo.

Segundo o pesquisador Peter Gaberz Kirschnik, o trabalho com os jundiás começou em 2005 e a primeira soltura de alevinos vai acontecer ainda este mês. ?O primeiro passo do projeto foi analisar a qualidade da água para saber onde captar as matrizes. Depois foi feito o trabalho de reprodução em laboratório. Agora, os alevinos serão lançados ao mesmo ambiente das matrizes?, explica. O local escolhido, onde ainda não há muita poluição, é a nascente do Rio Pequeno.

Se a Baía de Guaratuba, mesmo com a ocupação humana em seus arredores, ainda é uma área considerada preservada, o mesmo não se pode dizer de vários braços do Rio Iguaçu. No perímetro urbano de Curitiba e região metropolitana, o rio está morto.