A primeira-ministra do Reino Unido, Theresa May, deve conseguir formar um novo governo, mas, por ter de consolidar uma nova coalizão, terá de suavizar o discurso em relação ao Brexit. A avaliação é do professor de Relações Internacionais das Faculdades Integradas Rio Branco Demetrius Pereira, especialista em política da União Europeia.

continua após a publicidade

Faltando apenas um dos 650 assentos para ser definido, o Partido Conservador de Theresa May conquistou 318 lugares. Para se formar um governo sem coalizão são necessários 326 votos. Em encontro com a rainha Elizabeth II, a primeira-ministra disse que pretende continuar a liderar o país.

A premiê busca agora se reaproximar dos Liberais Democratas, que têm 12 cadeiras, e dos Unionistas Democráticos, com 10 cadeiras.

Enquanto os liberais democratas defenderam a permanência do país na União Europeia no plebiscito do ano passado, os unionistas alegaram uma espécie de “soft Brexit”, com a manutenção do país no Mercado Comum Europeu.

continua após a publicidade

“A coalizão que May terá de formar parece caminhar para um Brexit mais suave, uma ruptura que não seja tão completa da União Europeia”, afirmou o professor. “Em certa medida, parece que os britânicos se arrependeram do voto no ano passado.”

Por outro lado, para o professor, a União Europeia ganhou um novo fôlego. “Houve um reforço da posição da UE nas negociações do Brexit. O Reino Unido sai mais fragilizado”, afirmou.

continua após a publicidade

De acordo com Demetrius Pereira, a onda nacionalista que varreu a Europa desde o ano passado se arrefeceu. “Foi uma resposta das urnas. Mas a onda nacionalista não acabou”, advertiu.