O presidente da África do Sul, Jacob Zuma, superou nesta terça-feira mais uma moção de desconfiança no Parlamento, na mais séria tentativa de tirá-lo do posto, após meses de descontentamento com as acusações de corrupção e a piora na economia. Zuma já havia superado seis tentativas anteriores de forçá-lo a renunciar, mas pela primeira vez a votação dos legisladores foi secreta, após a surpreendente decisão na segunda-feira do presidente do Parlamento, Balek Mbete, de permitir isso.

A oposição avaliava que o voto secreto encorajaria deputados do governista Congresso Nacional Africano (ANC, na sigla em inglês) a votar contra Zuma. Houve 177 votos a favor da saída dele, mas 198 votaram contra, disse Mbete. Outros nove deputados se abstiveram.

Alguns dos 249 membros da ANC ou votaram com a oposição, ou se abstiveram ou não compareceram para a votação. Isso, porém, não foi suficiente para mudar o resultado.

Sul-africanos têm feito protestos quase diários, após o vazamento de e-mails que mostravam como o presidente, sua família e vários ministros teriam ajudado a controversa família Gupta a conseguir bilhões de dólares com contratos fraudulentos com o governo.

Zuma e os ministros implicaram negaram as alegações, bem como os Gupta, uma família de origem indiana que construiu um império corporativo que vai da mídia à mineração. O escândalo, porém, provocou divisões no ANC e levou a aprovação de Zuma à mínima. Fonte: Dow Jones Newswires.