Brasília – O presidente da Colômbia, Alvaro Uribe, convidou as Forças Armadas Revolucionárias da Colômbia (Farc) a ?uma negociação simples, ágil e de boa fé?, segundo informações da agência argentina Telam. Ele também agradeceu ao presidente da Venezuela, Hugo Chávez, ao governo de Cuba e à Cruz Vermelha, pela colaboração que deram para a liberação das duas ex-reféns das Farc resgatadas na última quinta-feira (10).

Apesar da liberação, Uribe lamentou a situação dos cerca de 750 reféns que continuam em poder da organização. O presidente colombiano reafirmou que seu governo fez ?esforços imensos? para chegar a um acordo de paz. E assegurou que o governo aceitou, há algumas semanas, a proposta da Igreja Católica de estabelecer uma zona de encontro.

O presidente colombiano pediu que as Farc cumpram com os antigos anúncios de desmobilização, que foram condicionados a ?plenas garantias? para a ?oposição radical? e ao desmantelamento das organizações paramilitares.

Segundo a Agência Bolivariana de Notícias (ABN), depois da libertação das reféns, as Farc emitiram um comunicado no qual destacaram que deram o primeiro passo de esperança ?que convida a pensar na possibilidade de paz na Colômbia?.

A nota foi emitida pelo secretariado do Estado Maior Central das Farc e publicada nesta sexta-feira (11) pela Agência Bolivariana de Imprensa (ABP, sigla em espanhol).

?Esta liberação humanitária e unilateral se dá apesar dos problemas atravessados pelo próprio presidente Uribe, inimigo jurado da troca de prisioneiros e inimigo da paz com justiça social, seguindo as indicações de Washington?, sentencia o texto.

Segundo o comunicado, os esforços devem se dirigir agora para a desmilitarização de Pradera e Florida como cenário do diálogo governo-Farc para o acordo e a materialização da troca que possibilite a liberação de todos os prisioneiros e dos guerrilheiros presos pelo regime. As Farc lembram que num passado recente liberaram unilateralmente 304 militares e policiais, capturados em combate.

Em discurso de hoje, o presidente venezuelano, Hugo Chávez, se mostrou disposto a prosseguir colaborando nas negociações entre o governo da Colômbia e os guerrilheiros. No entanto, pediu que, antes, Uribe reconheça tanto as Farc quanto o Exército de Liberação Nacional (ELN) como forças insurgentes e não como terroristas.

A solicitação também foi estendida a outros países que consideram as organizações como terroristas. ?Porque tudo isso tem uma única causa: a pressão dos Estados Unidos?, afirmou Chávez.