A União Europeia foi premiada hoje (12) com o Prêmio Nobel da Paz pela reconciliação dos países da Europa nos últimos 60 anos e o estabelecimento da paz e dos direitos humanos em toda a região.

A decisão foi informada pelo Comitê do Nobel da Noruega. Para o grupo, a organização de 27 países conseguiu alcançar a paz e a promoção dos direitos humanos em duas ocasiões.

A primeira é a união obtida após o fim da 2ª Guerra Mundial (1939-1945), em que a Europa se dividiu entre Aliados, comandados por EUA e União Soviética, e o Eixo, liderado pela Alemanha governada por Adolf Hitler.

Outro momento considerado foi a reunificação depois da decadência do comunismo, com a queda do Muro de Berlim (1989) e o fim da União Soviética (1991).

“A União Europeia e as instituições que a precederam em sua formação contribuíram durante mais de seis décadas para a paz e a reconciliação, a democracia e os direitos humanos”, disse o presidente do Comitê Nobel, Thorbjoern Jagland.

Criada em 1957 por seis países que assinaram o Tratado de Roma, a comunidade europeia se ampliou e chegou aos 27 Estados que a compõem na atualidade. Espanha e Portugal foram incorporados na década de 1980, enquanto antigas repúblicas soviéticas entraram durante a última década.

No ano passado, o prêmio foi concedido a três mulheres: a presidente da Libéria, Ellen Johnson-Sirleaf, a ativista Leymah Gbowee e a iemenita Tawakkul Karman. As escolhidas foram apontadas como defensoras do direito das mulheres em participar das tarefas de pacificação nos dois países.

A entrega do Prêmio Nobel será feita em 10 de dezembro, data que lembra a morte de Alfred Nobel. A premiação para a União Europeia será entregue em Oslo, enquanto os vencedores das outras categorias receberão a honraria em Estocolmo.

A entidade já divulgou os ganhadores nas categorias medicina, física, química e literatura e terminará na próxima segunda com o anúncio do vencedor no quesito economia.

Reações

Representantes do bloco de 27 países e chefes de Estado e governo das nações europeias comemoraram a conquista do Prêmio Nobel da Paz.

A chanceler alemã, Angela Merkel, considerou a honraria um estímulo ao projeto que, para ela, contribuiu para pacificar o continente.

O presidente da Comissão Europeia (braço executivo da UE), José Manuel Barroso, afirmou ser uma grande honra para a entidade e os 500 milhões de cidadãos da Europa.

O responsável pelo Conselho Europeu, Herman von Rompuy, disse que o prêmio prova o papel da UE como “o maior promotor da paz na história”. “O continente passou por duas guerras civis no século 20 e conseguimos estabelecer a paz graças a União Europeia”.

O presidente do Parlamento Europeu, Martin Schulz, se mostrou orgulhoso e honrado de a UE ter recebido o prêmio.

O ex-presidente francês Valery Giscard D’Estaind também comemorou o Nobel. “É justo que esse esforço extraordinário que foi obtido pelos europeus e seus líderes para estabelecer uma paz duradoura no continente, historicamente devastado pela guerra, seja recompensado e honrado”.

Crise

A União Europeia recebe o Prêmio Nobel da Paz em meio à crise financeira pela que passa o continente desde 2010, atingindo especialmente Espanha, Grécia, Portugal, Irlanda e Itália.

O aumento da dívida pública nos países gerou a diminuição da atividade econômica e altos índices de desemprego no continente. Na Espanha e na Grécia, mais de 25% da população economicamente ativa não possui trabalho.

Devido à crise, aumentou a pressão também sobre os imigrantes e a população mais pobre. Além dos fatores econômicos, os europeus ainda passam pelo aumento de ideologias nacionalistas, como o neonazismo, principal estopim para a 2ª Guerra Mundial.

A situação é observada com mais força na Alemanha e Grécia, onde um partido de extrema direita, o Aurora Dourada, ganhou 6% das cadeiras do Parlamento na última eleição, em junho.

O líder do partido independente do Reino Unido, Nigel Farage, fez referência aos problemas ao criticar à escolha do comitê responsável pelo Nobel. “Isso mostra como os noruegueses têm senso de humor. A União Europeia criou pobreza e desemprego para milhões e nos últimos dois anos causou animosidade entre os países do norte e do sul da Europa.”

Ele também fez referência ao presidente do Conselho Europeu, Herman van Rompuy, que, para Farage, incentivou a intervenção militar na Líbia, em 2011. “Depois disso, a ideia de a União Europeia conseguir um Prêmio Nobel é ridícula.”