A Tunísia terá eleições gerais em 23 de outubro, não em julho como planejado, porque as condições ainda não estão prontas para tal, disse hoje o primeiro-ministro interino do país, Beji Caid Essebsi.

O processo político tunisino está sendo acompanhado de perto pela União Europeia (UE) e a comunidade internacional, porque foram as revoltas tunisinas contra o governante Zine El Abidine Ben Ali, derrubado em meados de janeiro, que desencadearam as revoluções populares em vários países árabes.

O sucesso ou o fracasso das eleições gerais na Tunísia poderão enviar um forte sinal aos outros países da região. “O mundo está nos olhando. A Tunísia hoje tem uma imagem extraordinária porque a sua revolução pareceu pacífica, sem armas”, disse Essebsi.

“Os ventos da liberdade sopraram nos outros países, mas nós seremos os únicos que conseguiremos colocar em funcionamento um governo democrático”, afirmou o primeiro-ministro, referindo-se aos conflitos em curso na Líbia, Iêmen e Síria.

As eleições haviam sido marcadas antes para 24 de julho, mas a comissão eleitoral propôs no mês passado um adiamento, ao dizer que precisa ser dado mais tempo para organizar o sufrágio. Isso inclui inscrever 3 milhões de tunisinos na base de dados do sistema eleitoral. Além disso, o governo também quer que centenas de milhares de eleitores tirem carteiras de identidade atualizadas.

Embora Essebsi tenha dito que a rebelião foi pacífica na Tunísia, o processo não foi bem assim. Os protestos começaram em meados de dezembro, quando um vendedor ambulante desesperado, Sidi Bouazizi, ateou fogo ao próprio corpo após policiais corruptos confiscarem os legumes que ele vendia nas ruas.

A polícia do autocrata Ben Ali disparou contra os manifestantes usando munição de verdade e segundo a Organização das Nações Unidas (ONU) pelo menos 200 pessoas foram mortas entre meados de dezembro e 14 de janeiro, quando Ben Ali fugiu para a Arábia Saudita. As informações são da Associated Press.