O primeiro-ministro britânico, David Cameron, anunciou hoje as conclusões de um relatório que atribuem ao Exército do Reino Unido toda a culpa pelo chamado Domingo Sangrento, na Irlanda do Norte, em 1972. No episódio, militares do Reino Unido dispararam e mataram 14 civis católicos, em um dos piores eventos da história moderna do país. Ao divulgar o relatório, Cameron disse que o Exército britânico disparou sem justificativas e pediu desculpas em nome do governo e do país como um todo. “Não há dúvida, não há nada equívoco, não há ambiguidades. O que ocorreu no Domingo Sangrento é injustificado”, disse Cameron no Parlamento. “Está claro que os eventos do Domingo Sangrento não foram de modo algum justificados.”

O relatório, porém, não conclui que os disparos foram ilegais, o que era esperado. O relatório custou 191 milhões de libras e demorou dez anos a mais que o inicialmente previsto para ficar pronto. Foi respaldado pelo então primeiro-ministro Tony Blair, há 12 anos, como parte do processo que levou ao histórico acordo de paz de 1998 que praticamente encerrou a violência entre protestantes e católicos na Irlanda do Norte.

Em 30 de janeiro de 1972, um domingo, 13 pessoas foram mortas a tiros por um regimento de paraquedistas britânicos, durante distúrbios em torno de uma marcha de protesto na cidade de Londonderry. Outro manifestante morreu posteriormente, por causa dos ferimentos. As mortes ocorreram em um momento crucial do conflito, fortalecendo o recrutamento do grupo Exército Republicano Irlandês.

A fala de Cameron foi recebida com aplausos do público. O relatório pode ainda se tornar a base para um processo criminal contra ex-soldados envolvidos no incidente. A falta de processos poderia gerar revolta entre a comunidade republicana. As informações são da Dow Jones.