Mauricio Macri, prefeito eleito da capital argentina, criticou nesta quarta-feira (27) os presidentes da Bolívia e da Venezuela, Evo Morales e Hugo Chávez, elogiou as duas principais figuras da direita chilena e afirmou que a gestão do ex-presidente brasileiro Fernando Henrique Cardoso foi superior a do atual, Luiz Inácio Lula da Silva. Ele também disse que seu partido poderá derrotar o do presidente argentino, Néstor Kirchner, nas eleições presidenciais de outubro.

Macri afirmou que a gestão de Fernando Henrique lhe "parecia superior" à gestão de Lula. "Ele tinha melhores equipes, com menos denúncias de corrupção," disse. O líder direitista, empresário e dirigente do time de futebol Boca Juniors se reuniu hoje com correspondentes estrangeiros, na primeira coletiva após a contundente vitória do último domingo, quando derrotou o candidato a prefeito apoiado pelo presidente Néstor Kirchner.

"Não é possível que tenhamos uma política exterior exclusivamente vinculada na relação de amizade com Chávez, que é um dos personagens com pior imagem no mundo," disse Macri, ao criticar os cordiais vínculos políticos e econômicos de Kirchner com seu colega venezuelano. "Nós temos que buscar os países que a longo prazo poderão nos brindar com maiores investimentos e transferência de tecnologia," afirmou. Ele disse: "Não vejo uma gestão positiva tanto no governo de Chávez quanto no de Morales.

Macri elogiou os dois principais dirigentes da direita chilena, José Piñera, do Partido Renovação Nacional, e Joaquín Lavín, da União Democrática Independente (UDI), com os quais afirmou ter afinidades. "Além disso, Piñera é um amigo e também um cartola como eu sou," disse Macri, aludindo ao fato de Piñera ser dirigente do time Colo Colo.

Macri também atacou a política de Kirchner com o Uruguai, pelo fato do presidente argentino ter se oposto à instalação de duas fábricas de celulose no país vizinho, às margens do rio Uruguai. "Meu partido foi o único no Congresso que se opôs a levar a questão à Corte Internacional de Justiça de Haia," lembrou. Macri disse que recebeu mensagens de congratulação pela vitória da direita oposicionista do Uruguai.

O prefeito eleito não quis responder perguntas sobre a sua fortuna pessoal e ainda disse que não tem vínculo nenhum, atualmente, com empresas que façam negócios com o governo. O engenheiro de 48 anos, filho de uma família rica, disse que seu partido conservador Pro será uma força política de peso na Argentina e não descartou que Kirchner, ou a sua esposa Cristina Fernández, eventuais candidatos governistas para as eleições presidenciais de 28 de outubro, possam ser derrotados, apesar do que indicam as pesquisas de intenção de voto. "Em um país como a Argentina, pode acontecer qualquer coisa em quatro meses," afirmou.

Ele disse que não há incompatibilidade entre o seu futuro cargo e a presidência do Boca Juniors, "que abandonarei em dezembro.