Os preços dos produtos agrícolas alimentares tiveram altas extraordinárias em um só dia, imediatamente após o encerramento da Conferência da FAO (Organização das Nações Unidas para Agricultura e Alimentação) sobre Segurança Alimentar, Mudanças Climáticas e Bioenergia, na quinta-feira. O fato evidencia que o mercado é objeto de especulações fora de controle, segundo avaliou nesta sexta-feira a entidade agrária italiana Coldiretti.

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Através de um comunicado, a associação (que reúne o maior número de agricultores italianos) disse que "em um só dia, subiram os preços de todos os produtos agrícolas após a aprovação do texto final da cúpula da FAO, com recordes de aumento".

"O repentino aumento parece sugerir que os compromissos assumidos pela cúpula não são capazes de deter a especulação internacional que se deslocou dos mercados financeiros aos produtos agrícolas", aponta a Coldiretti.

Segundo informações da organização, o crescimento anunciado varia de 4%, sobre o arroz, trigo e soja, a 5%, sobre o milho, dentro do Chicago Board of Trade, que representa o ponto de referência para o comércio internacional dos commodities agrícolas.

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As críticas aos resultados da cúpula também aparecem nas declarações do ex-presidente do Banco Mundial, Paul Wolfowitz, que contesta o preparo e eficácia da reunião da FAO.

"É muito melhor colocar em marcha um plano de ação concreto sobre o terreno, em vez de encher caríssimos hotéis de Roma com um monte de gente durante dias e dias", afirmou Wolfowitz. "Se querem dar apoio a curto prazo aos países emergentes, é melhor outorgar subsídios para a comida que vai aos pobres, e não a toda a população".

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Durante a discussão da declaração final da cúpula, na quinta-feira, chegou-se a temer que o debate terminaria travado, dada a avalanche de críticas ao texto, sobretudo por parte das nações latino-americanas, como Argentina, Cuba, Venezuela, Bolívia e Equador.

Apesar dos US$ 6,5 bilhões prometidos para combater a crise alimentar e a fome, o resultado final foi "decepcionante", segundo definição do chanceler italiano, Franco Frattini. A atuação de Lula e seu projeto dos biocombustíveis também saíram ofuscados pela falta de acordo.

Enquanto isso, segundo o Osservatore Romano (jornal oficial do Vaticano), "800 milhões de pessoas esperam por uma resposta à tragédia da fome no mundo", número que Lula já havia apontado durante as discussões em Roma.