Uma jornalista que entrevistou o ex-agente da Agência Central de Inteligência dos Estados Unidos (CIA) Luis Posada Carriles sobre os atentados orquestrados por ele em Cuba em 1997 afirmou hoje, durante o julgamento do cubano anticastrista por um tribunal federal norte-americano, que ele via seus atos como “heroicos”.

A repórter Ann Louise Bardach, do jornal norte-americano The New York Times, foi intimada a depor hoje, depois de ter passado anos combatendo sua possível participação por considerar que o depoimento prejudicaria o relacionamento entre os jornalistas e suas fontes de informação. A entrevista foi feita em Aruba, em 1998.

Posada Carriles, de 83 anos, é um ex-agente da CIA e ativista anticomunista que foi levado a julgamento nos EUA por perjúrio, obstrução de justiça e fraude imigratória, entre outras acusações.

Nascido em Cuba e naturalizado venezuelano, Posada Carriles atuou como agente da CIA entre 1960 e 1976, segundo documentos da própria agência norte-americana divulgados nos últimos anos. Ele foi condenado à revelia pelo atentado que, em 1976, derrubou uma aeronave comercial da companhia Cubana de Aviación, no qual 73 pessoas morreram, e como mentor de uma série de explosões contra hotéis em Cuba na década de 1990, nas quais um turista italiano morreu.

O anticastrista também foi preso no Panamá no ano 2000 por envolvimento em um complô para assassinar Fidel Castro durante uma conferência internacional no país centro-americano, mas foi perdoado em 2004 pela presidente panamenha, então em fim de mandato, Mireya Moscoso. Entre outros episódios, Posada Carriles esteve envolvido na fracassada invasão da Baía dos Porcos e no escândalo Irã-Contras.

Posada Carriles entrou nos Estados Unidos em 2005 e, segundo a promotoria, mentiu sob juramento às autoridades imigratórios norte-americanas em diversas ocasiões. As informações são da Associated Press.