Uma abordagem policial desastrosa ocorrida nos Estados Unidos no último domingo resultou na morte do paranaense André Luiz de Castro Martins, de 25 anos. Ele foi morto a tiros por um policial norte-americano ao tentar escapar de uma blitz de trânsito em West Yarmouth, Estado de Massachusetts.

Para o pai da vítima, o policial militar da reserva Luiz Carlos de Castro Martins, que mora com a família em Cianorte, no noroeste do Estado, não há uma explicação para a violência sofrida pelo filho.

“É difícil falar porque estamos vivendo uma situação muito complicada. Só posso dizer que eles realizaram um procedimento muito violento e que certamente poderia ser evitado”, diz emocionado.

Segundo Luiz Carlos, o seu filho e sua nora, Camila Campos, saíram para jantar. Ao retornar, por volta da 1h10 (3h10 de Brasília), foram surpreendidos pela blitz. André tentou escapar e foi perseguido pelos policiais. Na abordagem, um dos policiais atirou contra o carro. Um dos tiros acertou seu peito.

Martins acredita que o filho, que tinha uma empresa de pinturas, tentou fugir por estar sem carteira de habilitação. “Mas eles (policiais) tinham todos os mecanismos para atirar nos pneus do veículo”, disse.

“Lá, a placa do veículo é da própria pessoa, poderiam ter ido atrás dele e feito a prisão com ordem do juiz, pois a Justiça é muito rápida”, reforçou. “Acho que infelizmente agiram muito errado, metralharam meu filho.” Segundo ele, a futura nora deve entrar em contato com advogados para analisar a possibilidade de ação judicial. A moça saiu ilesa.

Ele afirma também que sua nora escapou de ter sido baleada porque ela se abaixou no banco do passageiro no momento do disparo e que seu filho sequer teve chance de se defender.

André estava nos Estados Unidos desde 2001, quando entrou com visto de turista. Atualmente, vivia de forma ilegal no país, apesar de ter dois filhos, de 2 e 6 anos, de nacionalidade norte-americana. Eles são filhos da brasileira Camila Campos, que está nos Estados Unidos há cerca de 20 anos, com quem André pretendia se casar no fim do ano.

O pai disse que recebeu telefonema de um policial que lhe disse ter o tiro atingido o peito de André. A morte foi confirmada ao dar entrada no Hospital Cape Cod, em Hyannis.

“Ainda não tenho todas as informações, mas gosto da verdade e quero saber o que aconteceu”, disse Martins. Ontem, os familiares ainda não tinham decidido onde seria o sepultamento.

O Ministério das Relações Exteriores informou que o caso está sendo acompanhado e que foi oferecido apoio à família de André, porém não soube informar quando haverá o translado do corpo para o Brasil.