Polícia italiana acha lista de “Dez Mandamentos” da máfia

A polícia italiana informou nesta quinta-feira (8) que encontrou uma lista dos "10 Mandamentos" para soldados da Máfia em uma "villa" próxima a Palermo, onde um chefão da máfia Cosa Nostra, Salvatore Lo Piccolo, foi preso nesta semana. Lo Piccolo, que era o chefão desde 1993, era cotado para virar o "capo di tutti i capi", ou o chefão supremo da Cosa Nostra da Sicília, de acordo com investigadores italianos. Ele foi preso na segunda-feira, após uma batida policial em uma mansão campestre próxima à Palermo, capital da ilha e região da Sicília.

A lista foi encontrada entre suas anotações de "pizzini": notas codificadas que trazem informações sobre os negócios da Cosa Nostra, entregues a Lo Piccolo por seus "capitani", que comandam os soldados. O "pizzo" é a "taxa de proteção", ou o suborno que o comerciante paga ao mafioso para ter proteção no bairro. A extorsão é a principal fonte de renda da Cosa Nostra, bem como a corrupção em obras públicas. A polícia de Palermo informou que o decálogo abre com um preâmbulo que diz: "Eu juro ser fiel à Cosa Nostra. Se eu traí-la, minha carne queimará, como essa imagem de santo". Quando entra para a organização, o soldado precisa queimar uma imagem de um santo, durante o juramento.

Sob a categoria "Direitos e Deveres" estão os dez mandamentos mafiosos, um tipo de manual de usuário para o "bom mafioso". A lista foi toda escrita em letras em caixa alta, afirmou a polícia. O jornal italiano La Repubblica publicou uma foto da lista, com a legenda: "Os dez mandamentos do Padrinho". Analistas dizem que o decálogo ajudará nas investigações policiais para descobrir o que faz um "bom mafioso", enquanto outros dizem que o texto é surpreendente para uma organização que há mais de 150 anos convive e transmite suas informações apenas através da comunicação oral ou por bilhetes.

Proibições e Orientações

A lista proíbe o mafioso de freqüentar bares, de ser amigo de policiais ou de se atrasar a compromissos e reuniões. Também proíbe ao soldado mafioso "se apoderar de dinheiro que pertença a outras pessoas ou outras famílias". O decálogo também prescreve como tratar as mulheres. "Jamais olharás para as esposas dos teus amigos", descreve um dos "mandamentos" sobre mulheres. "Respeitarás a tua mulher", continua outro. De qualquer maneira, a Máfia sempre vem antes, como define o quinto mandamento, que ordena ao mafioso estar "disponível para a Cosa Nostra a qualquer momento, mesmo que tua mulher esteja prestes a parir teu filho".

A última parte do documento define quem não é apto a entrar na Cosa Nostra. Aquele que tiver um parente próximo em qualquer agência policial, do Exército ou das forças de segurança, aqueles que cometeram "traições sentimentais" contra suas famílias e esposas, e aqueles "que têm um comportamento muito ruim e sem valores morais" não podem ingressar na Cosa Nostra.

Disputa de Poder

Investigadores acreditam que Lo Piccolo poderia emergir como um "capo di tutti i capi" em uma disputa de poder dentro da Cosa Nostra, após a captura de Bernardo Provenzano, que comandou a organização de 1993 a 2006, até ser capturado pela polícia. Lo Piccolo, do clã de Palermo, disputava o comando com o clã de Trapani, outra cidade siciliana. Provenzano, que era do clã da cidade de Corleone, foi capturado pela polícia em uma fazenda próxima à cidade em abril de 2006, após mais de 40 anos foragido. Ele cumpre pena de prisão perpétua. Lo Piccolo e seu filho, também preso na segunda-feira, têm condenações de prisão perpétua por assassinato.

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