Forças da segurança egípcia detiveram 65 integrantes do grupo de oposição Irmandade Muçulmana hoje, enquanto os partidários fixavam cartazes eleitorais na cidade de Alexandria para as eleições parlamentares do próximo mês, informou a polícia. As detenções fazem parte da repressão do governo ao popular grupo islamita, o mais forte da oposição ao governista Partido Nacional Democrático.

O parlamentar Hussein Ibrahim, da Irmandade Muçulmana e candidato à reeleição, disse que os partidários foram detidos enquanto fixavam cartazes para uma das quatro mulheres que são candidatas da Irmandade Muçulmana na cidade. Como o partido da Irmandade foi proscrito, seus candidatos concorrem como independentes há décadas.

Um funcionário do governo egípcio disse que os 65 foram detidos porque violaram uma lei que proíbe mensagens religiosas nas propagandas políticas. Hussein disse que os cartazes tinham mensagens como “Deus é grande” e “Deus seja louvado”. Ele acusou o governo de perseguir a Irmandade.

A proibição da Comissão Eleitoral do Egito de que partidos e candidatos usem mensagens religiosas nas propagandas forçou a Irmandade a mudar seu discurso, de “O Islã é a solução” para “A Mudança é o nosso caminho”.

Com as detenções de hoje, subiu a 250 o número de detidos da Irmandade Muçulmana pela polícia egípcia desde 9 de outubro. Trinta dos detidos permanecem presos.

No total, 30% das 508 cadeiras do Parlamento do Egito estarão em disputa nas eleições de 28 de novembro. As eleições serão as primeira a garantir uma representatividade das mulheres no Parlamento – elas têm reservados, por lei, 12% das cadeiras, ou 32 vagas.

O governo egípcio é constantemente acusado de fraudes nas eleições e recusa pedidos por observadores internacionais nos sufrágios, argumentando que isso subverteria sua soberania.