Duas unidades do Conselho Britânico, organização sem fins lucrativos que atua como braço cultural da Embaixada da Grã-Bretanha, reabriram hoje seus escritórios em São Petersburgo e Yekaterinburg. Desafiando ordens de fechamento do governo russo, a reabertura agrava a relação entre os dois países, deteriorada desde a morte do ex-espião russo Alexander Litvinenko, envenenado em Londres em 2006.

O Ministério do Exterior russo convocou o embaixador britânico para apresentar um protesto. Após o encontro, o embaixador britânico anunciou que manterá os escritórios abertos porque o fechamento viola acordos internacionais. O governo russo respondeu que a recusa em obedecer a ordem é uma provocação deliberada e prometeu tomar medidas punitivas incluindo restrições na concessão de visto para oficiais consulares.

As unidades reabriram depois dos feriados de final de ano, apesar dos alertas de Moscou de que desafiar a ordem pioraria as já tensas relações entre os dois países. "Tentamos demonstrar que queremos continuar a trabalhar aqui", disse James Kennedy, diretor da organização na Rússia. "Não recebemos nenhuma informação que indique que nosso trabalho aqui é ilegal", acrescentou, informando que o trabalho do órgão é regulamentado por um acordo cultural de 1994 entre Londres e Moscou, nomeando o Conselho como "agência implementadora" de cultura e educação.

Representantes do Kremlin ordenaram o fechamento a partir de 1º de janeiro acusando a entidade de operar ilegalmente nas duas cidades. Segundo o governo russo, o Conselho Britânico violou regras internacionais ao não cadastrar oficialmente seus escritórios. A única unidade permitida a funcionar foi a de Moscou. "O que a Rússia está fazendo é ilegal", afirmou na época o embaixador britânico em Moscou, Anthony Brenton.