Uma pesquisa divulgada hoje pelo jornal “Asahi” aponta que quase 40% dos eleitores consultados se mostraram indecisos ou se recusaram a revelar o voto para as eleições de domingo no Japão. O panorama também era incerto para 30% dos distritos eleitorais, o que representa 180 cadeiras. Diante dos números, o diário alerta para a possibilidade de mudanças na reta final da campanha. Até agora, dizia-se que o oposicionista Partido Democrático do Japão (PDJ) poderia conquistar até 320 dos 480 postos da Câmara dos Deputados. Caso esse dado se confirme, será o fim de uma hegemonia de mais de cinco décadas quase ininterruptas do Partido Liberal Democrático (PLD) no país.

O PLD, do primeiro-ministro Taro Aso, parece estar diante de uma “derrota esmagadora”, observa o diário, apontando que a sigla pode ficar com apenas 100 cadeiras, quando tinha 300 no Parlamento anterior. O PDJ já controla o menos poderoso Senado desde 2007, com o apoio de partidos menores. Caso confirme sua vitória, o próximo primeiro-ministro será o líder do partido, Yukio Hatoyama.

Taro Aso admitiu hoje que os eleitores estavam descontentes com o governo. Falando em Osaka, no oeste do país, ele apontou que seu partido não soube “deixar claro as virtudes do conservadorismo”. O ministro das Finanças, Kaoru Yosano, disse na terça-feira ver o risco de uma “ditadura de partido único”, caso o PDJ confirme uma vitória folgada. Hatoyama, porém, rechaçou a acusação, argumentando que seu partido de centro-esquerda terá uma postura conciliatória. Taro Aso dissolveu o Parlamento no mês passado, forçando a convocação de eleições. A medida, porém, parece ter apressado a queda do PLD.

Futuro gabinete

Com a vantagem nas pesquisas, já há especulações sobre o futuro gabinete de Hatoyama. A agência Kyodo apontou que um forte candidato para ser ministro das Finanças é Hirohisa Fujii, de 77 anos, um alto conselheiro do PDJ. Fujii já ocupou o posto durante dois breves governos entre 1993 e 1994, no único período em que o PLD esteve fora do poder desde 1955. Alguns membros do PDJ defendem que o secretário-geral do partido, Katsuya Okada, seja o ministro das Finanças. Okada já foi um burocrata do Ministério do Comércio. O jornal “Sankei Shimbun” já disse que Okada pode se tornar ministro de Relações Exteriores. As informações são da Dow Jones.