Londres – Pesquisadores do California Institute of Technology, Estados Unidos, acabam de concluir uma pesquisa sobre vinhos, com o curioso resultado: para muitos, não é o ano, o sabor ou o perfume que definem a qualidade de um vinho, e sim o quanto ele custa.

O estudo revelou que, quando alguém experimenta um mesmo tipo de vinho por duas vezes, sem saber, tende a achá-lo melhor e mais saboroso quando lhe dizem que custa mais caro.

E também o cérebro responde de maneira distinta: ao analisar as ondas cerebrais de voluntários, descobriu-se que os centros nervosos ligados às sensações de prazer são estimulados em maior escala quando a pessoa sabe, ou acha, que tem em mãos um vinho mais caro.

"Estes resultados jogam luz sobre os efeitos neurais do marketing", afirma Antonio Rangel, professor de economia do instituto norte-americano e chefe da pesquisa.

Através de ressonâncias magnéticas, Rangel observou o cérebro de 20 pessoas, enquanto elas experimentavam o mesmo vinho Cabernet Sauvignon, mas com a informação de um preço diferente a cada vez – variando de 3 a 60 euros.

Além de descrever os vinhos mais caros como os melhores, grande parte dos voluntários provava, de fato, um prazer maior ao experimentar o produto que aparecia como mais caro. O córtex órbito-frontal médio – área normalmente associada ao prazer – era mais estimulado quando entravam em jogo os vinhos valiosos.

Segundo Rangel, isso mostra como a diferença em termos de prazer é real, mesmo no caso de dois produtos completamente idênticos.

Hugh Johnson, célebre especialista britânico de vinhos, comentou os resultados da pesquisa, dizendo que "é a mesma coisa que acontece com uma marca de moda; a psicologia é a mesma: não se trata de dinheiro, mas da reputação e do prestígio".