O chanceler do Peru, José Antonio García Belaunde, disse nesta sexta-feira (8) que o governo de seu país espera que a decisão final da Bolívia sobre o acordo de associação entre a Comunidade Andina (CAN) e a União Européia (UE) seja a de assinar o convênio.

Belaunde afirmou que o governo boliviano pode decidir entre duas opções: aceitar os três componentes do acordo de associação (livre comércio, diálogo político e cooperação) ou ser excluído do aspecto comercial.

“Espero que a Bolívia tome uma posição que possa permitir a negociação e que aceite discutir os três componentes do acordo de negociação. Senão, como dizem os próprios europeus, que participe pelo menos em dois desses três componentes”, disse o ministro das Relações Exteriores à agência Andina.

Se Bolívia “não quer participar do acordo de livre comércio, pois que se exclua disso e participe dos outros componentes”, explicou o representante peruano.

O chanceler considerou que todos os países que integram a CAN podem avançar nas negociações com a União Européia caso seja alcançado um bom entendimento. “Todos podemos avançar, mas temos que nos entender”, disse.

O embaixador da Bolívia em Lima, Franz Solano, declarou na quarta-feira que seu governo comunicará no dia 13 de agosto sua posição final em relação às negociações para estabelecer um acordo andino-europeu.

As negociações entre a CAN e a UE se paralisaram há várias semanas, depois que a Bolívia apresentou uma série de objeções ao convênio, já que sua política de relações exteriores possui uma visão crítica dos tratados de livre comércio, que são defendidos pelo governo peruano. Ao mesmo tempo, uma das exigências da UE é que a negociação seja em bloco, e não individual.

A CAN foi criada em maio de 1969 e é formada por Bolívia, Colômbia, Equador e Peru. A Venezuela se retirou do bloco por considerar prejudiciais os tratados de livre comércio que Peru e Colômbia assinaram com os Estados Unidos.