O governo do Peru renovou hoje sua oferta de conceder à Bolívia um acesso permanente ao Oceano Pacífico e também um terminal no porto de Ilo, no sul do Peru. A Bolívia poderá construir um zona econômica especial em Ilo, que poderá explorar por 99 anos.

O convênio, chamado de Ata de Ilo, foi assinado hoje pelo presidente do Peru, Alan García, e pelo presidente da Bolívia, Evo Morales. García e Morales, ex-adversários políticos, parecem ter deixado as diferenças no passado. O acordo assinado hoje vai mais longe e permitirá que a Marinha da Bolívia, no futuro, use o porto de Ilo para finalidades de cooperação e exercícios navais. Além disso, a Bolívia poderá construir no litoral peruano um anexo da sua escola naval.

No texto do pacto, o Peru expressou que é necessária uma “visão solidária” para contribuir com um acesso marítimo ao país vizinho, que perdeu seu acesso ao oceano na Guerra do Pacífico em 1879, quando Peru e Bolívia, aliados militares, foram derrotados pelo Chile. “É injusto que a Bolívia não tenha um acesso soberano ao oceano. Não queremos ofender ninguém, mas queremos que seja feita Justiça”, disse García, fazendo uma alusão ao Chile. Ilo fica 870 quilômetros ao sudoeste de Lima.

Morales chegou a Ilo acompanhado por autoridades civis e militares da Bolívia. Ele se disse “contente e feliz” com o acordo assinado hoje e afirmou que o terminal de Ilo permitirá à Bolívia “exportar seus produtos através do mar”. “O senhor nos ajuda, presidente, para que a Bolívia, cedo ou tarde, retorne ao mar. O retorno ao mar é algo irrenunciável para bolivianos e bolivianas”, afirmou o mandatário boliviano, dirigindo-se a García.