Em uma tentativa de salvar dinheiro e vidas, o Departamento de Defesa do governo dos Estados Unidos apresentou hoje seu primeiro plano sobre como mudar o uso que faz da energia no campo de batalha. A estratégia, que será delineada neste verão (no Hemisfério Norte) com um plano de implementação mais detalhado, constitui uma promessa do Pentágono em desenvolver armas mais eficientes no uso da energia, adoção de fontes energéticas não dependentes do petróleo e também conscientização dos soldados a terem um comportamento adequado em relação à energia.

O plano é a tentativa mais ampla do Pentágono em lidar com sua enorme e crescente dependência da energia para conduzir operações militares. Essa dependência da energia se mostrou especialmente cara nas guerras do Iraque e do Afeganistão, levando a crescentes contas de energia e a uma perigosa dependência dos comboios vulneráveis de combustíveis para abastecimento.

“Quanto menos precisarmos da energia, mais resistentes seremos nas operações”, disse o vice-secretário de Defesa, William Lynn. “Nós vamos aumentar nossa eficiência militar ao mesmo tempo que reduziremos nossos custos”, disse ao Wall Street Journal.

Os objetivos da nova estratégia são cortar a demanda de energia das forças em campo e acelerar o desenvolvimento de suprimentos alternativos, como fontes renováveis e biocombustíveis. Os militares esperam que o novo plano renda dividendos tanto nos campos de batalha, ao criar tropas mais ágeis e letais, quanto em Washington, ao economizar dinheiro a longo prazo com um aparato mais eficiente.

Consumo

O Departamento de Defesa é o maior consumidor individual de energia nos EUA, gastando US$ 15 bilhões em combustíveis no ano passado. Só a Força Aérea americana queima mais petróleo que alguns países pequenos. Cerca de 80% dos comboios dirigidos ao Afeganistão têm como missão transportar combustíveis. Por causa da constante ameaça de emboscadas nas rodovias paquistanesas e estradas afegãs, os fuzileiros navais estimam que um militar é morto ou ferido a cada 24 comboios.

A nova estratégia tem o foco nas operações, incluindo treinamento, desenvolvimento e apoio às forças militares em campo. Essas atividades respondem por cerca de 75% do uso de energia do Pentágono. Apenas um quarto da energia é consumida nos quartéis.

Enquanto a estratégia da energia é nova – e produto de uma medida de 2009 do Congresso que autorizou o projeto de lei – unidades separadas das Forças Armadas dos EUA têm lidado com o problema da energia durante anos, com resultados diversos. A questão ganhou maior urgência devido ao alto preço do petróleo e às experiências no Iraque e no Afeganistão, onde as tropas americanas, durante a década passada, pagaram um preço mais pesado com a necessidade de crescentes quantidades de energia, exigidas por um sistema vulnerável de suprimentos. As informações são da Dow Jones.