Pelo menos 86 pessoas morreram hoje em um massacre na Província de Hama, na região central da Síria, de acordo com os grupos de oposição Comitês de Coordenação Local e Conselho Nacional Sírio. Caso seja confirmado, será a maior morte de civis desde o massacre de Houla, em que 108 morreram, no dia 25. De acordo com os representantes dos rebeldes sírios, forças oficiais e milícias aliadas ao regime do ditador Bashar al Assad fizeram bombardeios e dispararam contra civis nos vilarejos de Qubair e Maarzaf. Segundo os opositores, as mortes também ocorreram com o uso de armas brancas.

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Os Comitês de Coordenação Local declaram que, entre os mortos, estariam cerca de 20 mulheres e 20 crianças e 35 membros da mesma família. O porta-voz do Conselho Nacional Sírio, Mohammed Sermini, pediu que os observadores da ONU (Organização das Nações Unidas) se dirigissem “imediatamente” ao local do incidente. As mortes ainda não foram confirmadas pelo regime sírio e pelos observadores da ONU. Caso o incidente tenha acontecido, seria o maior ataque após o massacre de Houla, na Província de Homs, em que 108 pessoas morreram no último dia 25.

Desde o início dos confrontos entre o governo de Assad e os rebeldes, em março de 2011, cerca de 10 mil pessoas morreram, de acordo com a ONU. Outros 230 mil se deslocaram pelo país e 60 mil se refugiaram em países limítrofes, como Turquia, Líbano e Jordânia.

Ajuda

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Mais cedo, os países do golfo Pérsico anunciaram a criação de um fundo de US$ 300 milhões para apoiar os rebeldes sírios contra o ditador Bashar al Assad. A intenção é dotar os insurgentes de “recursos para estruturar as operações de respaldo à revolução síria”, de acordo com o grupo. Também hoje um novo grupo opositor armado, a FRS (Frente dos Revolucionários da Síria) convocou a população para intensificar a luta contra o regime, disse um dos seus porta-vozes.

Hamza Homsi, porta-voz desta organização na Turquia, explicou à agência que a principal diferença deste grupo com o Exército Livre Sírio (ELS), até agora o único grupo armado opositor, é que este é formado por desertores do Exército e dos serviços de segurança, enquanto a Frente é constituída por civis. Integrante do Comitê Político do FRS, Homsi indicou que, além do centro de apoio criado na Turquia, a organização possui representação em outros países, embora tenha preferido não especificar onde estariam as outras bases.

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Rússia

O chanceler russo, Sergei Lavrov, propôs hoje uma ampla reunião internacional, incluindo Irã e Turquia, para discutir a crise na Síria e resgatar as chances de sucesso do plano de paz mediado pelo enviado Kofi Annan. “Acreditamos que seja necessário montar uma reunião de países com influência real sobre diferentes grupos da oposição. Não há tantos”, disse Lavrov durante visita a Pequim.

“São todos os membros permanentes do Conselho de Segurança da ONU, países importantes na região, é a Turquia; não se deve esquecer o Irã, a Liga Árabe, a Organização da Conferência Islâmica; a UE poderia contribuir, eu acho.” Ele disse que essa reunião seria “diferente das reuniões dos Amigos da Síria, que são devotadas a apoiar o Conselho Nacional da Síria e suas exigências radicais, seria para que todos os atores externos concordem, honestamente e sem duplos padrões, em cumprir o plano de Kofi Annan, porque todos nós o apoiamos”.

Rússia e China têm usado seu poder de veto no Conselho de Segurança para impedir qualquer tipo de punição a seu aliado Bashar al Assad, presidente da Síria, cujas forças são acusadas pela ONU de já terem matado mais de 10 mil pessoas em 15 meses de repressão a protestos pró-democracia. Annan, enviado especial da ONU e da Liga Árabe para a Síria, propôs neste ano um plano de paz que incluía um cessar-fogo, a desmilitarização de áreas urbanas e o início de um diálogo político. O plano entrou em vigor em abril, mas vem sendo repetidamente descumprido desde então.