O ministro das Relações Exteriores, Antônio Patriota, afirmou hoje que não procedem os rumores de que o governante da Líbia, Muamar Kadafi, teria pedido asilo político ao Brasil. “Essa informação não procede. Não existe nada sobre isso”, comentou, após almoço com a direção da Federação das Indústrias do Estado de São Paulo (Fiesp).

O chanceler condenou atos de violência contra os manifestantes que desejam a deposição de Kadafi e disse que vê com preocupação o desenrolar dos fatos na nação árabe. “O Brasil repudia atos de violência contra manifestantes desarmados e vê com grande preocupação o desenvolvimento (dos fatos) na Líbia, pois parece que (eles) alcançaram um padrão de violência absolutamente inaceitável”.

O ministro ressaltou que o Brasil continua monitorando atentamente a evolução dos acontecimentos na Líbia. O chanceler confirmou que 123 brasileiros estão na cidade de Benghazi, um dos centros de manifestações contra o governo. De acordo com Patriota, os brasileiros devem ser transferidos para a capital Trípoli e existe a

possibilidade de que deixem a Líbia, caso solicitem. “Há também aproximadamente 30 brasileiros que estão em conversas com Portugal para deixar Benghazi”, acrescentou. Segundo o chanceler, é preciso a autorização do governo da Líbia para que um avião com brasileiros decole.

Patriota relatou ainda que o secretário-geral do Itamaraty, Ruy Nogueira, se reuniu em Brasília com o embaixador da Líbia no Brasil para tratar da saída dos brasileiros de Benghazi. “Eu conversei ainda no fim de semana com o nosso embaixador em Trípoli, George Ney de Souza Fernandes, que viajou até Benghazi e está trabalhando ativamente para aqueles que desejam ser transferidos de Benghazi para Trípoli e, eventualmente, saírem do País”. Patriota disse que conversou com Maurício Queiroz Galvão, um dos dirigentes da Queiroz Galvão, sobre a situação dos funcionários naquele país, mas não deu detalhes da conversa.

O chanceler afirmou que o governo brasileiro está em contato com outros países, como Portugal, para uma ação conjunta. Ele ressaltou que estava em reunião no Conselho de Segurança (CS) da Organização das Nações Unidas (ONU) no dia da renúncia de Hosni Mubarak no Egito. Embora essas manifestações no mundo árabe não estejam incluídas na agenda do CS, nada impede, segundo ele, que, informalmente, o assunto seja discutido e até introduzido na agenda. O Brasil está neste mês na Presidência do CS da ONU.