O Parlamento espanhol aprovou nesta sexta-feira (11) o segundo mandato de José Luis Rodríguez Zapatero como primeiro-ministro do país.

O Partido Socialista Operário Espanhol (PSOE), de Zapatero, venceu as eleições gerais de 9 de março, mas não conseguiu o mínimo de 176 cadeiras para governar sozinho.

Na votação em primeiro turno, ocorrida na quarta-feira (9), Zapatero não conseguiu os votos necessários para confirmar seu segundo mandato na câmara de 350 cadeiras. No segundo turno, realizado nesta sexta-feira (11), bastava ter mais votos a seu favor do que contra para a confirmação do mandato.

Esta é a primeira vez em décadas que um político espanhol precisa do segundo turno para ter sua vitória confirmada pelo Parlamento depois de vencer uma eleição.

Mesmo sem ter garantido maioria para governar sozinho, o PSOE optou por não buscar parceiros para uma coalizão e pretende costurar alianças pontuais de acordo com projetos de lei de interesse do governo.

Na votação desta sexta-feira (11), 169 deputados votaram a favor de Zapatero, 158 votaram contra e 23 se abstiveram.

Zapatero fará o juramento do cargo no sábado (12), ao rei Juan Carlos, e anunciará o seu gabinete.

No seu primeiro mandato, Zapatero freqüentemente não obteve a maioria no Parlamento, mas conseguiu aprovar projetos com o apoio de aliados estáveis, como um pequeno partido de esquerda e um forte grupo nacionalista da Catalunha. As alianças levaram a repetidas acusações da oposição conservadora de que Zapatero devia favores a outros grupos políticos, principalmente aos nacionalistas catalães.

No primeiro turno na eleição da quarta-feira (9) no Parlamento, os partidos de nacionalistas catalães e bascos não votaram em Zapatero e se abstiveram. Nesta sexta-feira (11), no entanto, os deputados bascos e catalães ajudaram a aprovar Zapatero no cargo.

Zapatero enfrenta grandes desafios. A economia da Espanha, que foi invejada por seu forte crescimento pelos vizinhos europeus, durante mais de uma década, agora esfria rapidamente, em grande parte por causa do colapso do antes florescente setor imobiliário e da construção civil.

Um relatório do Fundo Monetário Internacional (FMI) publicado nesta semana indica que o Produto Interno Bruto (PIB) da Espanha cairá 1,8% em 2008, uma forte retração em comparação ao crescimento de 3,8% obtido em 2007.

A outra grande dor de cabeça de Zapatero deverá ser o grupo separatista basco ETA (Pátria Basca e Liberdade). O grupo declarou um cessar-fogo em março de 2006, mas frustrou-se com a falta de concessões durante as conversações de paz com Zapatero e agora está de volta com atividades terroristas.