O chefe de política externa da União Européia (UE), Javier Solana, considerou que a renúncia de Fidel Castro "pode encaminhar Cuba rumo a um processo de transição" para um regime democrático. Na Espanha, funcionários do governo socialista manifestaram a esperança de que a renúncia de Fidel Castro leve a reformas democráticas em Cuba. "O fato de ele ter renunciado formalmente à presidência cria um momento no qual poderá vigorar com maior capacidade, solidez e confiança esse processo de reformas sobre o qual ele mesmo comentou e que poderia começar a se materializar", disse Trinidad Jiménez, vice-chanceler encarregada de assuntos de América Latina.
A Anistia Internacional (AI) pediu "à nova liderança de Cuba que aproveite essa mudança para introduzir reformas necessárias para assegurar a proteção dos direitos humanos". Por meio de um comunicado, a entidade sugeriu que as reformas comecem "com a libertação incondicional de todos os prisioneiros de consciência e a revisão judicial de todas as sentenças aplicadas em julgamento injustos, assim como com a abolição da pena de morte e com a introdução de medidas para assegurar o respeito às liberdades fundamentais e à independência do judiciário". De acordo com a AI, Cuba mantém 58 prisioneiros políticos. Ao mesmo tempo, a entidade pediu à comunidade internacional, e em particular aos Estados Unidos, que interrompam medidas que afetam os direitos humanos dos cubanos, como o embargo imposto pro Washington.
Em Lima, o governo peruano considerou que a renúncia de Fidel Castro "representará o fim de uma etapa" e manifestou a esperança de que "o processo de transferência de poder seja pacífico e ordenado e se oriente na direção de uma vida democrática em Cuba". Numa declaração à imprensa local, o chefe do Conselho de Ministros do Peru, Jorge del Castillo, lembrou que Fidel comandou Cuba durante cinco décadas "e sem dúvidas teve conquistas favoráveis, como o avanço da saúde e da educação assim como um lamentável saldo de restrições à liberdade e repressão".
Em Londres, a chancelaria britânica declarou-se à espera de mais reformas políticas e econômicas em Cuba. "É isso o que esperamos uma transição rumo à democracia e a um maior respeito aos direitos humanos", disse um porta-voz da Secretaria de Exterior da Grã-Bretanha que pediu para não ser identificado. Ed Davey, parlamentar da oposição liberal democrata, também defendeu que a renúncia de Fidel seja um ponto de partida para mais reformas. "Sem Fidel Castro, temos a esperança de que Cuba conduza mais reformas e una-se ao mundo democrático. Seria uma tragédia se começasse uma dinastia familiar", opinou.
Em Moscou, o Kremlin ainda não se pronunciou sobre a notícia. Mas Guenadi Zyuganov, líder do Partido Comunista da Rússia, qualificou Fidel como um político brilhante. "Ele empunhou a bandeira da independência e do socialismo bem alto na ilha da liberdade, na América Latina e em todo o hemisfério ocidental. Mas o tempo é implacável. E Fidel tomou a decisão certa: entregar o poder a uma geração mais jovem de líderes", declarou.


