Para que serve a Teologia?

Não há o que contestar, muitas profissões são efetivamente o que se traduzem, e têm sua aplicação no cotidiano da humanidade. Um bom exemplo são médicos que procuram curar enfermidades; advogados que procuram corrigir injustiças; engenheiros que procuram produzir além de abrigos para nosso descanso, também a edificação de nosso ganha pão, dentre outras. Mas existem alguns campos da criação cientísfica que ainda nem bem conhecemos, e se temos alguma noção, desconhecemos suas aplicações no campo prático, nelas está a Teologia.

A ciência é fundamental na evolução do ser humano, mas ela só é possível quando o homem pensa a busca do infinito. Sendo mais objetivo, ele só busca se tem dúvidas, as dúvidas surgem através das indagações que nascem em decorrência do seu nascimento no seio da família. Ele aprende que o universo tem um Criador, e que seus pais e avós chamam de Deus, é o principio de sua espiritualidade. Aprende a amar e respeitar a Deus e conseguinte o seu semelhante. Aprende também, que o universo tem regras próprias e imutáveis. Além de sempre estar em movimento, que ação e reação são leis infalíveis. Quando a ação que comete está apoiada na espiritualidade, nutrida no seio da família, o resultado sempre será maior, ou seja, a reação motivará outras ações positivas em favor da vida. Mas quando o indivíduo nasce sobre formas adversas, seja em famílias desestruturadas, ou mesmo fruto indesejado de um relacionamento puramente animalesco, ou até bem estruturadas sob o aspecto econômico, mas sem nenhum afeto, volta-se à carga da ira contra Deus, que sempre será o pendão das tragédias e críticas. Tem-se a nítida sensação de que a fé é privilégio de poucos, e que na verdade Deus zomba da humanidade e, brinca com sentimentos alheios.

A Teologia se debruça sobre questões relacionadas com a Divindade (s), respeitando assim, as mais variadas maneiras e formas de se professar a fé humana, aquele que se aprofunda nesta ciência, não é apenas um hagiógrafo, nem tão pouco alguém que queira impor seu ponto de vista. Muito ao contrário, a função básica do operador da Teologia, esta, além de sustentar uma fé madura e serena, combater aos fundamentalistas e tiranos, que delegam a Deus, a responsabilidade das barbáries feitas pelos homens.

Falando em fé madura e serena, devemos considerar que o teólogo passa por todo o tipo de questionamentos e provações de ordem doutrinária, filosófica e dogmática que reveste cada religião, amealhando de cada uma, seus preceitos e princípios básicos, se aprofundando e desvelando mitos e ritos, que levam a descoberta do infinito que chega ao Criador, sem que com isto percam o norte, que os guia em sua própria fé.

Dentro da fé Cristã, em específico a Católica, vezes por outras perde-se este norte, achando que a Igreja (institucional), é tacanha e ultrapassada, principalmente quando trata-se de assuntos como casais de segundas núpcias, consagração da Eucaristia por mulheres, uso de preservativo, etc… Existem questões dogmáticas, intrinsecamente ligadas a estrutura, sem contar que estará sempre pautada pela Lei maior, que neste caso é a Bíblia Sagrada. Mesmo sendo um ponto nevrálgico e delicado, cabe lembrar o diálogo do papa João Paulo II, quando da primeira visita aos Estados Unidos, em seu encontro com o chanceler Harry Kissinger, fora por ele interpelado sobre estas questões. O saudoso papa respondeu, que estava atento às alterações da sociedade, mas a Igreja Católica Apostólica Romana é uma instituição milenar, regida, conduzida, guiada e apoiada sobre a égide da Bíblia, não a causas momentâneas, que ora são de uma forma, e logo mudam para outra. Kissinger que é de fé Judaica, ficou impressionado, e passou a admirar ainda mais João Paulo II, por sua preocupação e retidão com os dogmas da fé cristã.

 Controvérsias à parte, mas cabe lembrar a católicos o que está escrito em Mateus 19:5-6; Marcos 10,1-12 ou Lucas 16, 18 sobre o matrimônio: ?Por isso, o homem deixará seu pai e sua mãe e se unirá à sua mulher; e os dois formarão uma só carne? Assim já não são dois, mas uma só carne. Portanto, não separe o homem o que Deus uniu?. O problema não reside nas segundas núpcias, mas nas primeiras; assim como o uso de preservativo, que degenera a fidelidade, corrompe o amor e vulgariza o corpo, morada da alma. Da mesma forma outras religiões também seguem seus dogmas. O Budismo com os três níveis de compreensão, os quatro princípios da realidade e as quatro nobres Verdades; o Induísmo e suas duas Trindades, o princípio masculino e feminino, os cinco caminhos espirituais (mârgas), os seis pontos de vista (darshanas), dentre outras como as Afro-brasileiras, Judaísmo e Mulçumanos, cada qual com seu dogma de fé.

Aproveitamos esta época do ano em especial, para celebrarmos a confraternização, achando que o Natal é uma festa onde o que vale são as trocas de presentes, quanto mais caro melhores, prevalecendo o mercantilismo, deixando de lado o ponto principal, o nascimento de Jesus homem, que mais tarde se transforma em Cristo Salvador. Em tempos onde as cidades são mais iluminadas, ofuscando nossa visão a ponto de não enxergarmos nosso semelhante e suas misérias, deve estar presente um teólogo, não como produto acabado da ciência, mas um eterno acadêmico.

Enquanto as demais ciências correm atrás de respostas, a Teologia é uma resposta em si mesma; enquanto os mais variados campos científicos procuram resolver as doenças, a Teologia é a cura; enquanto as demais tentam combater a injustiça, a Teologia é a justiça suprema; enquanto as demais tentam abrigar o Homem, a Teologia é o único abrigo seguro das tempestades e agruras da vida. O teólogo deve acima de tudo transmitir a todos os segmentos da sociedade e rincões da terra, sua arte fundamental: a Compaixão Divina, independente da fé, como declinou Dom Moacir Vitti, arcebispo da Arquidiocese de Curitiba: ?o teólogo é indispensável na sociedade moderna, pois deve estar presente, para recompor e resgatar a dignidade humana, tirando o homem do estado bruto (animal), elevando assim o seu espírito ao de santidade?.

 Natalina Aparecida Sperendio Rosevics é teóloga, turma PUCPR/2005

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