O embaixador da Coreia do Norte na Organização das Nações Unidas (ONU) disse hoje que os Estados Unidos e a Coreia do Sul se beneficiaram politicamente do naufrágio, ocorrido em março, do navio de guerra sul-coreano Choeonan, mas não chegou a culpar um dos países de ter deliberadamente atacado a embarcação.

O embaixador Sin Son Ho afirmou, durante uma rara entrevista à imprensa, que os Estados Unidos convenceram o Japão a manter uma controversa base norte-americana em Okinawa depois do incidente e que a divulgação da investigação realizada por Seul sobre o ataque foi programada para coincidir com o início das eleições sul-coreanas.

Sin disse que os Estados Unidos e a Coreia do Sul realizavam testes militares numa área disputada no dia 26 de março e que teria sido impossível para um submarino norte-coreano entrar na região, tendo em vista a capacidade técnica de detectar embarcações dos dois países. O embaixador norte-coreano não disse se o naufrágio foi intencional ou o resultado de um acidente. “Eu não estou aqui para culpar ninguém, mas para esclarecer o que aconteceu”, disse Sin.

A Coreia do Sul informou em relatório divulgado no dia 20 de maio que o incidente, que matou 46 marinheiros sul-coreanos, foi um ataque deliberado de Pyongyang. Tanto a Coreia do Norte quanto a Coreia do Sul participaram ontem de reuniões consecutivas a portas fechadas no Conselho de Segurança da ONU.

Sin insistiu que a Coreia do Norte deve ter permissão para realizar sua própria investigação no local, um pedido até agora recusado pelo vizinho do sul. Pyongyang contestou a independência do inquérito sul-coreano sobre o incidente. O painel de investigação contou com representantes da Suécia, Canadá e dos Estados Unidos.