Os venezuelanos ainda não entenderam bem o que seria o “terceiro ciclo da revolução bolivariana”, anunciado pelo presidente Hugo Chávez após sua vitória no referendo de domingo sobre as reeleições ilimitadas. A confusão, porém, é resultado de uma decisão deliberada do presidente, de acordo com analistas. “Chávez percebeu ao vencer o referendo que há uma boa parcela da população que ainda não aceita a ‘revolução socialista’, mesmo que o apoie e queira que ele continue no poder”, disse o cientista político José Molina, da Universidade de Zulia. “Ao não se alongar sobre as novas mudanças, dizendo apenas que elas ‘aprofundarão seu projeto’, o presidente evita assustar os venezuelanos como fez dois anos atrás.”

Ao assumir o cargo no início de 2007, Chávez anunciou seu “socialismo do século 21” com grande estardalhaço e explicações detalhadas sobre seus planos: nacionalizações, uma reforma no sistema educacional, a criação de outros tipos de propriedade além da privada (como a social) e a valorização dos conselhos comunitários.

Mas a reforma constitucional que tornaria viável a adoção desse sistema foi rejeitada em referendo meses depois. “Na época, pensou-se que o projeto havia sido rejeitado por incluir a reeleição ilimitada, mas a vitória de domingo mostrou que o problema foi mesmo a menção ao socialismo”, diz o analista político Omar Noria.