O ministro palestino de Relações Exteriores, Riad Malki, disse que vai buscar o reconhecimento do Estado da Palestina na Organização das Nações Unidas (ONU) em setembro e que já está fazendo lobby para conquistar votos entre os integrantes do órgão. A medida é parte do que os palestinos chamam de plano B, uma alternativa ao acordo de paz com Israel, que está paralisado. O anúncio de Malki, feito ontem, ocorreu após o Chile ter reconhecido a Palestina como um Estado, o quinto país da América do Sul a tomar tal resolução nas últimas semanas.

Embora a conquista da maioria dos votos na Assembleia Geral da ONU pareça possível, o reconhecimento do Estado palestino no Conselho de Segurança (CS) – cujas decisões têm força de lei – deve enfrentar o veto dos Estados Unidos.

Setembro deve ser um mês crucial para os palestinos, já que marca o período no qual o presidente Barack Obama pretende alcançar um acordo de paz na região e a data na qual o primeiro-ministro palestino Salam Fayyad espera ter prontas as fundações do futuro Estado. A secretária de Estado norte-americana Hillary Clinton disse que o progresso no desenvolvimento das instituições governamentais palestinas pode ajudar a antecipar as medidas para a declaração do Estado.

“Nós continuamos a acreditar que Nova York não é o lugar para resolver o longo conflito e as questões pendentes entre israelenses e palestinos”, disse Hillary, durante visita a Abu Dabi. “Nós não acreditamos que este seja um caminho produtivo para os palestinos ou para qualquer outro país”.

Fayyad admite que o reconhecimento na ONU não vai necessariamente resultar na instituição do Estado, mas acredita que vai ajudar a garantir que as fronteiras de 1967 sejam a base para o futuro Estado. Os palestinos querem que seu Estado inclua as terras que Israel tomou durante a guerra ocorrida naquele ano na Faixa de Gaza, Cisjordânia e Jerusalém Oriental. “Tal reconhecimento criaria uma pressão política e legal para que Israel retire suas forças das terras e que o Estado seja reconhecido tendo como base as fronteiras de 1967 reconhecidas pela organização internacional”, disse Malki.

Reconhecimento

Segundo ele, a Autoridade Palestina trabalha para atrair o maior número de reconhecimentos possível até setembro, quando vai pedir uma votação da ONU. Inicialmente, o reconhecimento será requerido no CS, mas se isso falhar, o pedido será feito na Assembleia Geral, onde as decisões não tem força de lei mas não existe veto.

Brasil, Argentina e Bolívia reconheceram o Estado Palestino no mês passado e o Uruguai, Paraguai e Peru devem se juntar ao Chile nas próximas semanas. Malki disse que Ásia, África e o Caribe também devem aderir à lista. “No Caribe há 12 pequenos Estados, mas estes países têm o mesmo voto que a China na Assembleia Geral da ONU”, disse ele.

Cerca de 100 países já reconheceram o Estado palestino, a maioria países em desenvolvimento, depois que os palestinos declararam sua “independência” em 1988. Outros países, a maioria ex-integrantes da União Soviética, tomaram a mesma decisão após os tratados de paz de Oslo em 1993. Na primeira década do século 21, Venezuela e Costa Rica também reconheceram a Palestina. As informações são da Associated Press.