A Organização das Nações Unidas (ONU) retomou nesta quarta-feira sua missão de ajuda aos habitantes de uma área sitiada da cidade de Homs, numa tentativa de entregar alimentos e remédios para os habitantes que estão sob domínio de rebeldes. No sábado, um ataque impediu a entrega da ajuda humanitária aos moradores do local.

Voluntários do Crescente Vermelho Sírio, que participa dos esforços, reuniram-se na manhã desta quarta-feira em subúrbios a noroeste de Homs. No local, eles transferiram sacos de farinha, caixas de alimentos e kits médicos de seus caminhões para veículos blindados e trailers da ONU para a viagem de duas milhas até a zona mantida pelos rebeldes, no interior da cidade.

O primeiro lote de suprimentos chegou ao seu destino sem incidentes. Mais remessas deveriam ser enviadas depois que o comboio retornar.

No sábado, um comboio de veículos não blindados foi atacado ao tentar levar ajuda aos civis e combatentes de Homs. Apenas metade conseguiu passar. Cinco pessoas, dentre elas civis que correram em desespero para receber alimentos e medicamentos, foram mortas.

A ONU não identificou oficialmente a fonte do ataque, mas três integrantes do comboio afirmaram que forças ligadas ao regime de Bashar Assad foram responsáveis. Já autoridades do governo disseram que insurgentes realizaram os disparos, afirmando que eles têm como objetivo prejudicar as operações e usar o civis famintos e isolados como escudos humanos.

Yacoub El Hillo, principal funcionário da ONU na Síria, disse não ter encontrado evidências que apoiem as afirmações do governo sobre os eventos de sábado. Os moradores dos bairros controlados por rebeldes de Homs têm tido pouco ou nenhum acesso a alimentos e remédios desde que forças aliadas a Assad sitiaram a região histórica da cidade, em junho de 2012.

O destino de centenas de homens em idade militar que foram retirados de Homs – cidade que tinha pelo menos 1 milhão de habitantes antes da guerra – continuava incerto nesta quarta-feira. Cerca de um terço das mais de 1.100 pessoas retiradas da área sitiada entre sexta e segunda-feira foram imediatamente detidas por autoridades sírias.

A ONU disse que cerca de 400 homens com idades entre 15 e 54 anos foram presos por autoridades sírias como supostos combatentes assim que deixaram os bairros antigos de Homs, que têm sido bombardeados há 18 meses. O governador de Homs,Talal al-Barazi, que representa o regime, disse que foram 330 homens.

Cerca de 100 deles foram libertados na terça-feira, mas várias centenas continuam sob custódia numa escola que fica num setor da cidade controlado pelo regime, informaram funcionários locais e da ONU.

Segundo Al-Barazi, os homens em idade militar que saíram do bairros históricos de Homs efetivamente se renderam porque haviam sido informados sobre o que aconteceria com eles ao deixarem o local. Fonte: Dow Jones Newswires.