A América Latina não está imune à crise alimentar, mesmo sendo um dos principais locais de produção agrícola do planeta. Dez milhões de latino-americanos podem se somar à camada mais miserável da população mundial diante da crise com a alta dos preços dos alimentos no mundo. Dados da Comissão Econômica para a América Latina (Cepal) e da ONU alertam que a crise atinge já a todos os continentes. Na região, os mais afetados são os centro-americanos.
A ONU publicou nesta segunda-feira (5) um mapa da nova cara da fome no mundo, alertando que 100 milhões de pessoas já são atingidas e que o esforço de promover o desenvolvimento das regiões mais pobres do mundo nos últimos sete anos pode ser perdido com a atual crise.
Na América Latina, o caso mais grave é do Haiti. A ONU conta com apenas 13% dos mais de US$ 100 milhões que pediu para os governos para dar de comer a 1,7 milhão de pessoas no país. Em El Salvador, a população passou a comprar metade dos alimentos que adquiria há 18 meses.
Na Nicarágua, o preço da tortilla aumentou em 54% em um ano, contra 17% na Guatemala. Isso diante da alta de 100% no preço do milho em toda a América Central. Outro problema é a alta no preço do feijão, alimento de base para a região.
Segundo um levantamento do governo americano, a diferença entre o que a América Latina produz em alimentos e o que é consumido pela classe mais pobre está crescendo, mesmo diante do cultivo recorde no continente. De acordo com o Ministério da Agricultura dos Estados Unidos, a região pode passar por um "choque alimentar" nos próximos dez anos se o modelo agrícola não for modificado. O "gap alimentar" seria três maior na América Latina que na Ásia ou na África.
Diante da situação, a ONU iniciou nesta semana um estudo para tentar ajudar os governo latino-americanos a contornar a crise. Um plano será apresentado a cada um dos países mais afetados na América Central. Mas a ONU admite que não tem um receita para evitar que a pobreza aumente na região.


