Enquanto nas ruas 3 mil tibetanos engrossavam o coro dos manifestantes contra o governo chinês, bandeiras negras com algemas substituindo os círculos olímpicos foram espalhadas pelos principais ícones turísticos de Paris, nesta segunda-feira, durante a passagem da tocha olímpica pela capital francesa. Na Torre Eiffel, na Avenida Champs Elysées ou na igreja de Notre-Dame, os atos de protestos foram orquestrados pelas mesmas organizações não-governamentais (ONGs) que já haviam atuado na Grécia e na Inglaterra, por onde a tocha tinha passado anteriormente.

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Os protestos mais emblemáticos foram realizados por militantes da Repórteres Sem Fronteiras (RSF). Há 10 dias, Vicent Brossel, responsável pelo Escritório Asiático da RSF e um dos militantes que havia sido preso durante os protestos na Grécia, já havia alertado que os protestos aconteceriam com mais intensidade em Paris. "Não vamos impedir a chama de passar, mas vamos mostrar que os direitos humanos estão no centro da idéia da tocha dos Jogos Olímpicos", chegou a dizer ele.

Nesta segunda-feira, menos de uma hora após a partida da tocha pelas ruas de Paris, três manifestantes escalaram a Torre Eiffel, de mãos livres e sem instrumentos de segurança. A mais de 50 metros de altura, eles desfraldaram a bandeira criada pela RSF – aquela negra, com as algemas no lugar dos círculos olímpicos.

Depois, protestos idênticos aconteceram na Avenida Champs-Elysées, desta vez em um prédio privado, e na igreja de Notre-Dame, uma das mais visitadas do mundo. "Nós não estragamos a festa. É o governo chinês quem a estraga ao não respeitar os direitos humanos e a liberdade de expressão", argumentou Robert Ménard, secretário-geral da RSF, em entrevista à emissora de TV pública France 2.

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A ação coordenada pela RSF foi determinante, mas não a única responsável pela mobilização desta segunda-feira. Provenientes de toda a Europa, cerca de 3 mil tibetanos que vivem exilados viajaram a Paris para participar do movimento. E na capital francesa, eles contaram ainda com a simpatia da população – a França se proclama a Pátria dos Direitos Humanos desde a Declaração dos Direitos do Homem e do Cidadão, aprovada em 1789 em meio à Revolução Francesa.

Revoltada com a ação repressiva do governo chinês contra o movimento de autonomia tibetano, a população parisiense foi às ruas da cidade, de forma espontânea, para apoiar a causa da liberdade de expressão. Para surpresa, deparou com um dispositivo de segurança agressivo organizado pela polícia local.

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"Parece que estamos protestando na União Soviética", reclamou Julien Blot, estudante francês de 25 anos que protestava no Boulevard Saint-German, um dos endereços mais importantes de Paris. Na calçada contrária, a também estudante Zhang Rui tinha o discurso oposto.

Estudante chinesa, fazendo mestrado em gestão de marcas de luxo em Paris, Zhang Rui empunhava com orgulho a bandeira vermelha ornada de estrelas amarelas de seu país. "A Olimpíada é uma grande festa para o povo chinês. É uma pena tudo o que se passa aqui", lamentou ela. "Quem protesta pelo Tibete não conhece a história e o nível de liberdade da China."