O Comitê Internacional da Cruz Vermelha afirmou hoje que “várias centenas” de pessoas já morreram por causa da violência étnica no Quirguistão. Segundo um porta-voz da entidade, não há dados precisos sobre os mortos nos distúrbios iniciados na quinta-feira passada, mas “nós estamos falando de várias centenas” de pessoas mortas.

A parte sul desse país asiático sofre com dias de violência contra a minoria usbeque, que deixam a segunda maior cidade do país, Osh, em ruínas e forçam dezenas de milhares de usbeques a fugir para seu país de origem, vizinho ao território quirguiz. Hoje o Ministério da Saúde afirmava que o número oficial de mortos era de 171, com quase 1.800 feridos.

As Nações Unidas e a União Europeia (UE) pediram que o Quirguistão mantenha o calendário para um referendo constitucional e as eleições parlamentares. Miroslav Jenca, um representante da ONU, disse em visita a Bishkek que o referendo deste mês e as eleições parlamentares de outubro devem ocorrer a fim de que o país avance rumo à democracia. O embaixador alemão no Quirguistão, Holger Green, disse que esta também é a posição da UE.

O governo interino, da presidente Roza Otunbayeva, acusa aliados do presidente deposto em abril, Kurmanbek Bakiyev, pela violência. De acordo com a nova administração, a intenção desse grupo político é evitar que ocorra um referendo em 27 de junho sobre a nova Constituição do país.

Exilado na Bielo-Rússia, Bakiyev negou qualquer relação com a violência. A alta comissária da ONU para os Direitos Humanos, Navi Pillay, disse que a violência “parece ser orquestrada, com um alvo e bem planejada”. Estima-se que 200 mil pessoas tenham fugido da violência no Quirguistão desde quinta-feira, segundo um porta-voz em Genebra do Alto Comissariado das Nações Unidas para os Refugiados (Acnur).