O oligarca russo Boris Berezovsky foi encontrado morto neste sábado no banheiro de sua casa em Surrey, nos arredores de Londres, onde vivia exilado desde 2000. Berezovsky, de 67 anos, era um conhecido opositor do presidente da Rússia, Vladimir Putin. Um membro de sua família, que não teve seu nome revelado, disse à agência de notícias russa Interfax que “Boris Berezovsky morreu repentinamente às 11h locais em Londres. Legistas estão em sua casa neste momento”. A causa da morte não foi revelada.

Berezovsky era um dos “oligarcas russos” que enriqueceram rapidamente na onda de privatizações que se seguiu ao colapso da União Soviética, em 1991. Formado em matemática e membro da Academia de Ciências da Rússia, ele enriqueceu vendendo carros Mercedes importados para o país e depois tornou-se acionista majoritário da rede de televisão ORT, a maior do país, e da empresa de petróleo Sibneft.

Em meados dos anos 1990, o empresário tornou-se um dos principais apoiadores do governo do presidente Boris Yeltsin e chegou a eleger-se deputado em 1996. Com a eleição de Vladimir Putin para a Presidência da Rússia, em 2000, Berezovsky renunciou a seu posto de deputado e deixou a Rússia, buscando asilo no Reino Unido. Fundou o Partido Rússia Liberal, de oposição a Putin, mas a agremiação naufragou quando dois de seus principais dirigentes foram assassinados.

O próprio Berezovsky foi alvo de várias tentativas de assassinato. Em 2006, um de seus principais associados, o ex-agente da KGB Alexander Litvinenko, foi envenenado em Londres com uma substância radiativa, plutônio 210, e Berezovsky acusou Putin de ser o responsável. Na mesma época foi assassinada a jornalista russa Anna Politkovskaya, que também fazia oposição a Putin. O governo russo acusou Berezovsky de responsabilidade pelos dois crimes, o que o empresário negou.

Em 1997, sua fortuna foi estimada pela revista Forbes em mais de US$ 3 bilhões. Segundo a BBC, o patrimônio de Berezovsky se reduziu muito nos últimos anos. Em 2012, ele processou outro oligarca russo, Roman Abramovich, na Justiça britânica, acusando-o de tê-lo obrigado com intimidações a vender sua participação na Sibneft “por uma fração do valor real”. O tribunal decidiu pelo arquivamento do processo e disse que Berezovsky era “uma testemunha totalmente indigna de confiança”.