Um tribunal de Roma sentenciou nesta terça-feira oito ex-líderes militares e políticos sul-americanos pela desaparição e morte de 23 pessoas de origem italiana durante a repressão a dissidentes e intelectuais empreendida pelas ditaduras na região. Os promotores italianos absolveram outras 19 pessoas no processo sobre a chamada Operação Condor, aliança secreta de ditaduras na América do Sul durante as décadas de 1970 e 1980 na qual líderes militares cooperaram na perseguição e morte de dissidentes, inclusive de outros países.

Entre os processados em ausência e sentenciados estão o ex-presidente boliviano Luis García Meza Tejada, o ex-presidente peruano Francisco Morales Bermúdez, dois ex-comandantes militares do Chile e um político do Uruguai. O promotor Gianluca Capaldo disse que, uma vez que se esgotem os recursos, a Itália buscará que os condenados cumpram as sentenças em seus respectivos países, onde alguns já estão detidos ou sob prisão domiciliar.

Capaldo disse que estava apenas em parte satisfeito com os veredictos, já que várias pessoas acabaram absolvidas.

Uma ativista chilena que fez oposição ao regime militar do presidente Augusto Pinochet, Georgina Cabrera chorou ao saber da decisão, considerada por ela uma “bofetada” na humanidade. “Em nossos países não conseguimos justiça e esperávamos obtê-la aqui”, afirmou. “Mas esse veredicto é doloroso.”

A Operação Condor foi lançada em novembro de 1975 por Pinochet, que derrubou o presidente esquerdista Salvador Allende em um golpe de Estado em 1973. A neta de Allende, a romancista Isabel Allende, testemunhou no processo italiano, segundo a agência de notícias Ansa. Participaram da Operação Condor os governos de Brasil, Argentina, Chile, Bolívia, Paraguai e Uruguai. Fonte: Associated Press.