O presidente dos Estados Unidos, Barack Obama, discursará hoje no Congresso com o objetivo de reiterar seu papel de protagonista na reforma do sistema de saúde. Com o discurso, Obama – que parece ter pedido seu “momentum” – pretende retomar a iniciativa política e, por tabela, sua popularidade, que vem caindo de forma significativa nas últimas semanas.

A estratégia engloba não apenas sua fala de hoje, mas também a de ontem, para os estudantes, e até mesmo fotos, como a que ele aparece trabalhando no Salão Oval da Casa Branca com a filha Sasha se escondendo atrás de um sofá – evocando a imagem do filho de John Kennedy debaixo da mesa do pai quase cinco décadas atrás. Outras táticas, como os debates com a comunidade, organizados ao longo do verão para Obama esclarecer dúvidas sobre a reforma do sistema de saúde, não tiveram o efeito esperado. O presidente também tem sido criticado até por setores democratas pela condução na guerra do Afeganistão e pela incapacidade de a administração aprovar no Congresso a nova lei climática.

A expectativa, em Washington, é a de que Obama delineie mais detalhadamente qual é o seu projeto para o tema doméstico mais polêmico de sua administração. Grupos conservadores teriam vencido a batalha midiática ao difundir informações que, segundo a Casa Branca, são mentirosas. Alguns diziam até mesmo que o presidente tem uma agenda socialista secreta.

A apresentação do plano de reforma traz riscos para Obama. Ao tentar buscar o apoio de todos os lados para a aprovação de seu plano, ele pode alienar seus simpatizantes mais à esquerda sem conseguir atrair democratas mais conservadores e alguns republicanos. As linhas gerais do plano já foram definidas por Obama, mas elas sofreram duras críticas de vários segmentos da sociedade – para quem a proposta de reforma do sistema de saúde é pouco clara.