Todo homem tem uma relação de amor e ódio com seu membro sexual: amor pelo simples fato de tê-lo e ódio por nunca achá-lo grande o bastante. Por essa razão, a exposição da nudez masculina diante de outros homens é algo absolutamente constrangedor, pois sempre haverá olhos inapelavelmente comparativos. O homem, nessas circunstâncias, sente-se medido, pesado e reprovado. Já a mesma nudez diante de uma mulher não provoca angústia pela simples impossibilidade da comparação física.

Mas essa obsessão é compreensível porque no mundo animal tamanho e força representam poder, inclusive para as fêmeas, responsáveis pelo controle de qualidade na evolução da espécie, que escolhem os machos maiores e mais fortes para procriar. Contudo, justamente em termos evolutivos, a humanidade desmentiu essa verdade natural, provando que a inteligência se sobrepõe ao tamanho e à força.

Essa inquietação traduz, sobretudo, o anseio instintivo masculino por uma simplificação da vida, pois, no seu imaginário, bastaria ter um pênis gigante para ser inquestionavelmente respeitado por seus pares e exibi-lo para que todas mulheres lhe jurassem amor eterno.

Djalma Filho é advogado.

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