O líder de um novo partido anti-euro da Alemanha pediu neste domingo que o país abandone a zona do euro, afirmando que a moeda comum força os contribuintes alemães a resgatarem países falidos do sul europeu, cujas populações se referem aos alemães como nazistas. Enquanto o líder do partido Alternativa para a Alemanha, o professor de economia Bernd Lucke, discursava na convenção inaugural do partido, uma multidão de cerca de 1.500 pessoas, a maior parte composta por homens mais velhos, gritava em apoio ao novo líder que, segundo analistas, pode prejudicar a chanceler do país, Angela Merkel, em sua tentativa de ser reeleita em setembro.

Lucke disse que o euro fez muito pouco para unificar os europeus e expressou raiva contra os manifestantes do sul europeu que vêm comparando Merkel ao ditador nazista Adolf Hitler, devido às exigências por reformas e austeridade em troca de resgates financeiros. “Por causa do euro, as pessoas do sul da Europa não hesitam em expressar sua revolta contra a Alemanha, usando comparações nazistas. Isso não é como eu imaginei que a Europa seria”, afirmou.

O partido adotou uma plataforma que pede mudanças no tratado europeu para permitir que cada um dos 17 países da zona do euro “decidam democraticamente qual moeda querem utilizar”. “O euro foi um fracasso e seria ruim continuarmos a acreditar nesse conto de fadas. O fracasso do euro não significa o fracasso da Europa”, disse Lucke.

Esse tipo de sentimento ainda é uma exceção na Alemanha, onde permanece um senso de obrigação em ajudar os vizinhos europeus em dificuldades, motivado principalmente pela vergonha com os crimes cometidos na era nazista. Mas o novo partido político espera aproveitar os temores de que a crise na zona do euro possa piorar e levar também a maior economia da Europa. Seu objetivo é angariar uma quantidade suficiente de votos nas eleições gerais de setembro para alcançar o mínimo de 5% necessário para obter representação no Parlamento alemão.

O partido se coloca fortemente contra a posição de Merkel de que não pode haver Europa sem a preservação da união monetária. Apesar de ainda estar nascendo, o movimento pode prejudicar Merkel ao ameaçar o apoio de seu principal parceiro de coalizão, do qual o partido da chanceler depende para ter um governo estável.

O Alternativa para a Alemanha quer introduzir referendos nacionais para que os eleitores possam decidir assuntos importantes, incluindo pacotes de resgate internacional. O partido pretende, no atual congresso, votar para a formação de um conselho.

Muitos dos que participaram da convenção expressaram revolta contra o que chamaram de transferências injustas de dinheiro dos contribuintes alemães para o resgate de países como o Chipre e a Grécia. “Esse partido tem boas ideias”, disse o especialista em softwares Andreas Fluegge, de 49 anos. “O euro é um grande problema para nós. Desde que temos o euro, eu tenho ganhado menos dinheiro e pagado mais impostos por coisas que eu não entendo. Espero que esses novos políticos mudem isso.”

Em meio ao discurso do que o partido não gosta, no entanto, há poucas informações sobre o que ele efetivamente apoia, e seus líderes foram chamados de “amadores políticos” em um editorial publicado na semana passada no jornal Bild, um dos maiores da Alemanha.

Especialistas acreditam que o partido tem poucas chances de angariar votos de protesto suficientes para alcançar o nível necessário de 5%. Ele tem chances, no entanto, de atrair número suficiente de eleitores da coalizão de centro-direita de Merkel para forçá-la a fazer uma aliança com a oposição ou conceder à oposição a ampla maioria. As informações são da Associated Press.