Michael Cohen, ex-advogado do presidente americano Donald Trump, prestou horas de depoimento à equipe de investigação do procurador especial Robert Mueller. A informação sobre a cooperação de Cohen foi revelada na tarde desta quinta-feira, 20, pela rede de TV ABC News e confirmada pela CNN e pelo New York Times, ganhando grande repercussão nos principais meios de comunicação dos EUA.

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Mueller foi escolhido para investigar o possível conluio entre a campanha republicana e agentes russos durante a eleição de 2016, que elegeu Donald Trump. Cohen é considerado um personagem central no caso em razão de sua proximidade com o presidente. Segundo a ABC News, o ex-advogado de Trump participou de “múltiplas sessões de entrevistas” que duraram horas ao longo de setembro.

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Em agosto, Cohen admitiu a culpa em acordo com investigadores e confessou ter feito pagamentos ilegais para silenciar a atriz pornô Stormy Daniels e a ex-modelo da Playboy Karen McDougal, durante o período eleitoral, para evitar que elas revelassem casos extraconjugais com Trump.

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Na confissão, Cohen admitiu também ter cometido crimes de evasão fiscal, mas não mencionou no acordo, pelas informações que vieram à público, os nomes das mulheres a quem fez pagamentos ou o nome de Trump.

De acordo com a ABC News, com base em fontes ligadas à investigação, Cohen foi questionado a respeito das relações de Trump com a Rússia – incluindo negócios do presidente americano e possível interferência dos russos em favor do republicano nas eleições presidenciais. Segundo a CNN, ele também estaria disposto a dar informações sobre os impostos de Trump, um segredo até então bem guardado pelos contadores do presidente.

Ainda de acordo com a rede de TV, os investigadores da equipe de Mueller perguntaram se o presidente tratou com ele a respeito da possibilidade de um indulto – o que poderia ser considerado obstrução de justiça.

Cerco

A ABC News não divulgou informações sobre as respostas de Cohen aos questionamentos. Trump tem negado a existência de conluio com os russos para interferir nas eleições ou tentativas de obstrução de justiça. Os depoimentos do ex-advogado de Trump aconteceram em Nova York e em Washington de forma voluntária.

Cohen atuou como advogado de Trump no período em que o magnata era empresário e continuou como seu conselheiro após as eleições. Entre especialistas, a avaliação é a de que Cohen tem mais informações sobre Trump do que o ex-chefe de campanha, Paul Manafort, quem também assinou um acordo com os investigadores na última semana.

As especulações sobre o depoimento do ex-advogado são grandes na imprensa americana. À CNN, John Dean, ex-conselheiro da Casa Branca na época do escândalo de Watergate, que derrubou o presidente Richard Nixon, avaliou que o fato de os investigadores ouvirem Cohen por tantas horas é um indicativo de que “ele deve ter entregado novas informações”. As informações são do jornal O Estado de S. Paulo.