Vários políticos importantes que abandonaram o presidente do Iêmen, Ali Abdullah Saleh, formaram seu próprio partido hoje, o que representa mais um golpe contra o governante que se mantém no poder apesar dos protestos quase diários exigindo sua saída.

Hoje, a polícia lançou gás lacrimogêneo e usou munição de verdade contra milhares de manifestantes que pediam a queda de Saleh na cidade portuária de Al-Hudaydah, no sul do país. Quarenta e cinco pessoas ficaram feridas.

Os acontecimentos sublinham a situação precária do Iêmen após dois meses de protestos contra a falta de liberdades e a pobreza extrema. A oposição do país, inspirada pelos levantes no Egito e na Tunísia, diz que nada além da saída imediata de Saleh vai encerrar o levante.

Grupos de defesa dos direitos humanos dizem que a repressão matou mais de 120, mas isso não fez com que as pessoas desistissem de realizar protestos. Segundo o ativista Riyadh al-Absi, dos 45 feridos hoje em Al-Hudaydah, 12 foram atingidos por disparos de policiais à paisana. A polícia usou cassetetes para bater nos manifestantes, que responderam jogando pedras, disse al-Absi.

Na capital Sanaa, vários políticos e legisladores importantes, muitos dos quais deixaram o Partido do Congresso, de Saleh, estabeleceram seu próprio partido, intitulado “Bloco Justiça e Construção” e lançaram um comunicado pedindo que Saleh deixe o poder. Mohammed Abulahoum, que também é líder da poderosa tribo Bakeel, a segunda maior do Iêmen, está entre os membros-fundadores. Khaled al-Wazeer, que era ministros dos Transportes antes de desertar, também está entre os fundadores da nova legenda.

Várias mulheres também fazem parte do grupo, dentre elas Huda al-Ban, que renunciou no mês passado do cargo de ministra dos Direitos Humanos. O grupo disse que vai lutar para “estabelecer uma sociedade civil baseada na democracia, transferência pacífica de poder e respeito aos outros”. As informações são da Associated Press.