Escritórios governamentais e escolas continuaram fechados hoje no Haiti, depois de dois dias de confrontos estimulados pelo anúncio do resultado da disputada eleição presidencial, que deu início a declarações raivosas dos adversários Jude Celestin e do cantor Michel Martelly, os quais prometeram ir à Justiça para assegurar a participação no segundo turno da eleição que vai decidir o sucessor de René Préval.

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Os confrontos deixaram cinco mortos. A comissão eleitoral iniciou a revisão dos resultados que mostraram que Martelly não iria para o segundo turno por menos de sete mil votos, enquanto o protegido de Préval teria conquistado o direito de manter sua candidatura.

Celestin prometeu que vai defender seu direito de participar do segundo turno, marcado para 16 de janeiro, contra a ex-primeira-dama Mirlande Manigat. “Nós acreditamos que a eleição não pode ser disputada por meio da destruição. Nós exigimos que vocês permaneçam calmos, mas que se mobilizem em todo o país, porque vamos defender legalmente seus votos”, disse Celestin a seus partidários.

Nuvens de fumaça continuavam a subir de barricadas feitas com pneus nas ruas da capital. Os moradores saíram cautelosamente de seus abrigos para buscar água e comida. Mais de 1,3 milhão de pessoas continuam sem casa após o terremoto de janeiro, que matou 250 mil pessoas. A vida é uma batalha diária pela sobrevivência em meio a uma epidemia de cólera que já matou 2.100 pessoas.

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O Haiti parece agora estar à beira de um grande distúrbio social, temido desde o terremoto. Voos internacionais, vitais para levar ajuda e medicamentos, foram suspensos. O Canadá fechou sua embaixada e os Estados Unidos – que denunciaram os “resultados inconsistentes” – advertiram seus cidadãos a fazer apenas viagens essenciais ao país.

Uma fonte diplomática disse à agência France Presse que diplomatas estrangeiros devem se reunir ainda hoje para discutir a situação, já que até mesmo as forças de paz da Organização das Nações Unidas (ONU) são alvo de ataques com pedras.

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Contagem

Os resultados iniciais mostraram Manigat, uma acadêmica de 70 anos, na liderança com 31,37% (336.378 votos); Celestin em segundo com 22,48% (241.462 votos) e Martelly em terceiro, com 21,84% (234.617 votos). Martelly, de 49 anos, popularmente conhecido como “Sweet Micky”, disse entender a raiva de seus partidários com os resultados e insistiu que o “protesto sem violência é um direito do povo”.

Se a revisão mantiver os resultados, Manigat vai concorrer com Celestin, um tecnocrata do governo de 48 anos que foi retirado da obscuridade por Préval para ser o candidato do partido governista Unidade.

Independentemente de quem vença, o novo presidente terá a difícil tarefa de reconstruir um país traumatizado, com dez milhões de habitantes, que já era o mais pobre das Américas antes mesmo do terremoto e da epidemia de cólera. As informações são da Dow Jones.