A Casa Branca lançou uma moeda comemorativa da cúpula entre Donald Trump e Kim Jong-un, que ainda não ocorreu. Nela, o rosto do presidente dos EUA aparece frente a frente ao do ditador norte-coreano, que é identificado como “líder supremo”. A celebração precoce e a reverência ao responsável por um dos regimes mais repressores do mundo foram alvo de chacota e crítica nas redes sociais.

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“Não consigo parar de rir da moeda. Kim é chamado de líder supremo. Eu compraria uma moeda com o título ‘Supremo Déspota’, ‘Ditador Insignificante’ ou talvez ‘Assassino em Massa'”, escreveu no Twitter um dos mais respeitados cientistas políticos do país, Larry Sabato, professor da Universidade da Virgínia.

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Trump aceitou em março a proposta de Kim de realizar uma cúpula, em um gesto que surpreendeu seus próprios assessores. Desde então, ele deu declarações otimistas sobre as chances de desnuclearização da Coreia do Norte e adotou um tom respeitoso ao se referir ao ditador, ao qual chamou de “pequeno homem-foguete” no ano passado.

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O presidente americano também estimulou sugestões de que ele deveria receber o Nobel da Paz pelo diálogo com o país mais fechado do planeta.

Mas a moeda comemorativa parece ter ido longe demais. “Por que estamos honrando esse ditador cruel com uma moeda comemorativa?”, questionou o professor de Stanford Michael McFaul, embaixador dos EUA na Rússia no governo de Barack Obama.

“Você está de brincadeira? Isso é repugnante. Qual culto à personalidade esta cúpula está legitimando? Isso é antiamericano”, escreveu Robert Kelly, professor da Universidade Nacional de Pusan, na Coreia do Sul.

O tratamento dado a Kim na moeda o coloca no mesmo patamar do presidente dos EUA e impulsiona sua aspiração de não ser tratado como um pária nas relações internacionais. O líder do Partido Democrata no Senado, Chuck Schumer, solicitou que a Casa Branca recolha as moedas. “A face de Kim não deve estar nessa moeda. Ele é um ditador brutal.” As informações são do jornal O Estado de S. Paulo.