O presidente do México, Andrés Manuel López Obrador, afirmou ontem que seu governo utilizará os meios legais para garantir que a fortuna do narcotraficante Joaquín “El Chapo” Guzmán retorne ao México. “Acredito que tudo que seja confiscado e devolvido ao México e aos mexicanos”, defendeu Obrador. “Acredito que o governo dos EUA concordará em entregar o que pertence ao México. Os trâmites têm de ser feitos desde já. Nós não vamos deixar de recorrer a esses assuntos pela via legal.”

Na quarta-feira, o ex-chefão do cartel de Sinaloa foi condenado à prisão perpétua com um adicional de 30 anos. Além disso, deverá pagar uma indenização de US$ 12,6 bilhões. O valor calculado pelas autoridades americanas do dinheiro arrecadado com o tráfico de cocaína e outras drogas para os EUA é de US$ 14 bilhões, ao longo de 25 anos.

A questão é delicada, pois se trata de dinheiro proveniente da venda de drogas do cartel mexicano nos EUA. Até o momento, as autoridades americanas não disseram como pretendem administrar o dinheiro de Guzmán. Especialistas questionam até mesmo se o governo é capaz de rastrear a fortuna.

Obrador afirmou ontem que o México cometeu um erro no passado ao permitir que os EUA arrecadassem dinheiro em casos penais e de corrupção contra suspeitos mexicanos, e prometeu que isso não voltará a ocorrer. Ele acrescentou que o dinheiro repatriado será usado em programas de combate à pobreza no México.

Defendendo a austeridade, o governo de Obrador leiloou carros de luxo e mansões confiscados do crime organizado e distribuiu o montante entre comunidades pobres. Em breve, de acordo com o presidente, o Estado promoverá o leilão de joias.

O presidente mexicano também lamentou a pena perpétua contra Chapo, que permanecerá em isolamento completo em uma prisão de segurança máxima nos EUA. “Lamento muito que esses casos ocorram. Eu não quero que ninguém esteja preso, ou em um hospital, que ninguém sofra. Sou um idealista”, disse. “Isso me comove.”

Desde 2006, quando o presidente Felipe Calderón lançou uma ofensiva militar para enfrentar os cartéis, mais de 250 mil pessoas foram assassinadas. Chapo, que esteve preso duas vezes no México, foi extraditado para os EUA em janeiro de 2017, no último dia de mandato de Barack Obama.

Apesar de ter perdido um de seus líderes, o cartel de Sinaloa continua operando normalmente sob comando de Ismael Zambada García, conhecido como “El Mayo”, que muitos apontam como o verdadeiro chefe da organização. (Com agências internacionais)

As informações são do jornal O Estado de S. Paulo.