Cedendo à oposição, o governo de Barack Obama decidiu permitir que o mentor dos ataques de 11 de Setembro, Khalid Sheikh Mohammed, e outros quatro supostos auxiliares sejam julgados pelo judiciário militar, em vez de um tribunal federal civil em Nova York, informou hoje um funcionário do judiciário federal.

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Após meses de adiamento, o governo finalmente recuou da afirmação que o secretário de Justiça, Eric Holder, fez em novembro de 2009, de que os cinco seriam julgados num tribunal a alguns quarteirões de onde ficava o World Trade Center, no centro de Manhattan. O anúncio criou forte oposição dos republicanos e nos últimos tempos até mesmo entre alguns democratas, particularmente em Nova York.

A fonte, que pediu anonimato, disse que vai depender do exército norte-americano decidir se a prisão na baía de Guantánamo, em Cuba, onde os cinco são mantidos, será o local do julgamento ou ainda se eles serão julgados juntos ou separados. Segundo ele, o anúncio deve ser feito por Holder numa coletiva de imprensa.

Na Casa Branca, o porta-voz Jay Carney fez referências à decisão do Departamento de Justiça. Num determinado ponto das perguntas, Carney disse “sim” quando perguntado se Obama concordava com a decisão de Holder.

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Os republicanos criticaram o adiamento. “É triste que o governo Obama tenha levado mais de dois anos para descobrir o que a maioria dos norte-americanos já sabe: que o conspirador do 11 de Setembro Khalid Sheikh Mohammed não é um criminoso comum, que ele é um criminoso de guerra”, disse o presidente do Comitê Judiciário da Câmara, deputado Lamar Smith, do Texas.

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A luta política sobre onde julgar os supostos conspiradores para o 11 de Setembro é parte de uma batalha maior, na qual os republicanos não querem que os detentos de Guantánamo sejam levados para o território norte-americano.

Os quatro supostos conspiradores são Waleed bin Attash, iemenita que teria coordenado um campo de treinamento da Al-Qaeda no Afeganistão; Ramzi Binalshibh, também iemenita que teria ajudado a encontrar escolas de pilotagem de avião para os sequestradores; Ali Abd al-Aziz Ali, acusado de ajudar os nove sequestradores a viajar para os Estados Unidos e enviado US$ 120 mil para suas despesas e treinamento de voo; e Mustafa Ahmad al-Hawsawi, saudita acusado de ajudar os sequestradores com dinheiro, roupas, cheques de viagem e cartões de crédito. As informações são da Associated Press.