O líder cubano Fidel Castro pediu ontem o fim do embargo dos Estados Unidos e disse que Cuba não estava pedindo a mudança por “caridade”, horas depois de o presidente Barack Obama levantar restrições sobre viagens e transferências de dinheiro por cubano-americanos. Hoje, Fidel disse que as medidas tomadas por Obama são “positivas, embora mínimas”. As declarações do ex-presidente cubano foram feitas em dois artigos publicados na noite de segunda-feira em um site oficial e nesta terça-feira em veículos da imprensa estatal do país caribenho.

“Nem uma palavra foi dita sobre o embargo, que é a mais cruel de todas as ações”, disse Fidel no artigo publicado na noite de ontem no site oficial Cubadebate, em reação à decisão norte-americana. “As condições são tais que Obama poderia usar seu talento na direção de uma política construtiva que possa encerrar o que já fracassou por quase meio século”, afirmou o ex-presidente cubano.

O embargo a Cuba é um emaranhado de leis que proíbe o comércio com o país latino e sanciona qualquer intercâmbio não autorizado, incluindo viagens culturais, a compra ou a venda de mercadorias e também operações bancárias. “O dano não se mede apenas por seus efeitos econômicos. Constantemente custa vidas humanas e ocasiona sofrimentos dolorosos a nossos cidadãos”, prosseguiu Fidel, referindo-se às dificuldades para comprar medicamentos e equipamentos que, ainda que excetuados do embargo, como os alimentos, das sanções terminam sendo mais caros, pelas dificuldades financeiras e legais.

Fidel destacou a iniciativa do senador republicano Richard Lugar, que encabeça um grupo de congressistas e empresários interessados em normalizar as relações. “Por outro lado, nosso país, que resistiu e está disposto a resistir o que seja necessário, não culpa Obama pelas atrocidades cometidas por outros governos dos Estados Unidos. Não questiona tampouco sua sinceridade e seus desejos de mudar a política e a imagem dos Estados Unidos. Compreende que travou uma batalha muito difícil para ser eleito, apesar dos preconceitos centenários”, disse o ex-líder.

As medidas foram vistas por muitos em Cuba como um gesto humanitário. “Você pode imaginar o que é ter um casamento por telefone”, disse Berta Maria Mayor, enquanto esperava no Aeroporto José Martí de Havana o avião que traria seu marido de volta dos EUA para Cuba, na primeira visita em três anos. Ela disse esperar que seu marido venha mais a Cuba, várias vezes por ano, embora as finanças da família tenham sido prejudicadas pela crise mundial, porque seu marido perdeu o emprego em uma indústria têxtil na Flórida há três meses. Com informações são da Dow Jones.