Partidos de oposição de Portugal e grupos sindicais prometeram hoje combater as últimas medidas de austeridade do governo, que estão sendo adotadas como contraparte de um programa de ajuda, no valor de 78 bilhões de euros (US$ 105,6 bilhões), concedido ao país pela União Europeia e Fundo Monetário Internacional (FMI) em 2011.

A proposta orçamentária federal para 2014, publicada ontem à noite, prevê cortes nos salários e pensões de servidores públicos pelo terceiro ano consecutivo como forma de garantir uma economia estimada em 3,9 bilhões de euros. Funcionários do governo que ganhem acima de 600 euros por mês terão os salários reduzidos em até 12%, enquanto as pensões que ultrapassarem o mesmo patamar serão diminuídas em cerca de 10%.

A Frente Comum, organização que reúne mais de 30 sindicatos de funcionários públicos, anunciou uma greve geral para o próximo dia 8.

Já o Partido Socialista, o principal da oposição ao governo, classificou o projeto de Orçamento como “brutal” e disse que votará neste mês contra o plano de gastos no Parlamento, embora a coalizão do governo tenha votos suficientes para aprovar a proposta.

Lisboa alega que precisar reduzir os gastos para atingir a meta de déficit fiscal de 4% do Produto Interno Bruto (PIB) em 2014, como exigido pelos credores internacionais do país. O governo prevê que o déficit deste ano ficará em 5,9% do PIB.

O governo e a chamada troica de credores – que reúne a Comissão Europeia, o Banco Central Europeu (BCE) e o FMI – insistem que Portugal precisa sanear as contas públicas para reconquistar a confiança dos investidores, melhorar seus ratings soberanos, hoje em grau especulativo pelas três principais agências de classificação de risco, e voltar aos mercados de bônus em meados do ano que vem, quando o programa de ajuda chegará ao fim. Mais cedo, Portugal vendeu 1,5 bilhão de euros em dívida de curto prazo. Fonte: Associated Press.