A primeira-ministra do Reino Unido, Theresa May, afirmou em sessão regular de perguntas no Parlamento nesta quarta-feira que a convocação de eleições gerais neste momento “não seria de interesse nacional”. O comentário vem à tona no mesmo dia em que a liderança de May à frente do Partido Conservador será desafiada em um voto de desconfiança por deputados correligionários da premiê, cujo resultado deve ser conhecido pouco depois das 18h (de Brasília).

No caso de uma derrota na votação interna, ela deixará não só o comando da legenda como também a chefia de governo, sem a necessidade de um pleito com participação dos eleitores britânicos. Com um resultado favorável, ela teria uma salvaguarda de 12 meses sem que sua liderança pudesse ser novamente desafiada.

Se um novo líder viesse a assumir, argumentou May, ele não conseguiria cumprir a data parlamentar de 21 de janeiro para aprovar o acordo do Brexit no Legislativo britânico com tempo hábil de passar pelo Parlamento Europeu e, depois, ser ratificado pelo Conselho Europeu antes do Dia do Brexit, em 29 de março de 2019. “Isso significaria estender ou revogar o Artigo 50 [do Tratado da UE, que notifica o bloco sobre a intenção de um Estado-membro de deixá-lo], o que atrasaria ou cancelaria o Brexit”, ela alegou.

Em um momento acalorado do debate na Câmara dos Comuns, May rebateu um questionamento do líder do Partido Trabalhista, Jeremy Corbyn, dizendo que o Reino Unido já teve um “voto significativo” sobre o Brexit. “Foi em junho de 2016”, exclamou. A afirmação foi classificada como “inaceitável” e “chocante” pela bancada opositora, já que na última segunda-feira o governo da conservadora adiou por tempo indeterminado o que ela mesma vinha chamando de “voto significativo” sobre o trato do Brexit negociado com a União Europeia, retirando da pauta do Legislativo o projeto de lei com o acordo de retirada e a declaração política sobre a relação futura com o bloco.

Ainda assim, acenando aos próprios colegas de partido, May garantiu que continuará indo a líderes da União Europeia para negociar um acordo para a saída britânica que seja capaz de passar pelo Parlamento em Westminster. “Fiz algum progresso nas discussões” de ontem, disse a premiê. “Todos na UE também se preocupam com a duração do backstop“, assegurou, referindo-se ao chamado ‘anteparo irlandês’, que é o mecanismo emergencial para evitar uma fronteira física entre a República da Irlanda e a Irlanda do Norte se não houver um acordo entre Londres e Bruxelas ao fim do período de transição do Brexit.

Criticada de forma veemente pelo principal porta-voz da oposição, Jeremy Corbyn, a conservadora contra-atacou dizendo que os trabalhistas querem “criar caos” e “arruinar a economia”. “Não devemos arriscar entregar as negociações à oposição, isso atrasaria o Brexit”, acrescentou.

May voltou a prometer que, mesmo em um Brexit sem acordo com a União Europeia, os direitos de cidadãos dos Estados-membros do bloco morando no Reino Unido serão protegidos. “Mas precisamos que a UE também proteja cidadãos britânicos morando” no seu território, atalhou.