Manifestantes contrários ao governo doaram sangue hoje e devem derramar litros do líquido em frente à sede do governo da Tailândia. O gesto simbólico busca pressionar as autoridades para que cedam e organizem novas eleições.

Centenas de manifestantes com camisetas vermelhas fizeram grandes filas para doar sangue. Um dia antes, dirigentes do movimento prometeram coletar mil litros de sangue para derramá-lo no Palácio Presidencial.

“Se eles querem jogar o sangue e tirar fotos e que nós limpemos depois, creio que não há problema”, afirmou um porta-voz do governo. Segundo ele, autoridades de saúde estavam analisando se “jogar sangue nas ruas viola os regulamentos de saúde”.

Aproximadamente cem mil manifestantes autodenominados Camisas Vermelhas se reuniram no domingo, na capital Bangcoc, para exigir que o primeiro-ministro Abhisit Vejjajiva dissolva o Parlamento. Abhisit se negou a fazê-lo e reforçou a segurança na capital, mas notou que seu governo está aberto a negociações.

O general da polícia Wichai Sangprapai disse que o número de manifestantes havia diminuído, desde o domingo, e calculou que 90 mil deles permaneciam na capital. Ante a negativa oficial, os dirigentes dos protestos anunciaram um “sacrifício de sangue”, medida duramente criticada pela Cruz Vermelha, por ser um desperdício e pela falta de higiene, pela possível difusão de doenças como hepatite e aids, caso agulhas sejam reutilizadas.

“Este sangue pertence aos guerreiros pela democracia. De que cor é? Vermelho!”, gritava um manifestante em um alto-falante, enquanto dirigentes doavam sangue e guardavam o líquido em garrafas plásticas, perto de uma tenda branca, onde havia várias filas para doação.