Manifestantes furiosos após um colega ter sido gravemente ferido supostamente pela polícia entraram em confronto com a tropa de choque no centro de Atenas hoje, no segundo dia de protestos violentos na capital da Grécia. Milhares de pessoas saíram novamente às ruas em protesto contra as medidas de austeridade que o governo grego foi obrigado a adotar para receber o pacote de socorro da União Europeia (UE) e do Fundo Monetário Internacional (FMI).

Jovens usaram martelos para arrancar pedras do calçamento e mármore das fachadas de edifícios e atiraram os materiais contra a polícia. Os policiais responderam com granadas de gás lacrimogêneo. Várias batalhas campais tomaram conta das ruas do centro de Atenas.

Os confrontos começaram quando um grupo de 5 mil jovens e manifestantes de sindicatos e grupos de esquerda reclamavam da brutalidade da polícia, que é acusada de ferir seriamente um manifestante de 31 anos ontem. As autoridades gregas têm sido acusadas de uso excessivo da força contra manifestantes e contra imigrantes clandestinos. Em 2008, um adolescente grego foi morto a tiros pela polícia em Atenas e isso provocou duas semanas de protestos. Segundo a Sky News, pelo menos 20 mil pessoas protestaram no centro ateniense hoje.

A maior central sindical da Grécia, a GSEE, emitiu um comunicado condenando “os atos de violência policial e os ferimentos severos infligidos a manifestantes” durante a greve geral de ontem. O governo pediu desculpas e afirmou que lançará uma “ampla investigação”.

O porta-voz da polícia, Athanassios Kokalakis, admitiu que alguns policiais “revidaram com uma resposta exagerada, eles serão identificados e responderão por isso”.

A Grécia mergulhou em uma severa crise financeira há mais de um ano e precisou ser resgatada por um pacote de 110 bilhões de euros em maio do ano passado. Em troca, o governo impôs medidas de austeridade, cortou salários dos funcionários públicos, congelou valores das aposentadorias e aumentou impostos. As informações são da Associated Press.