O presidente Luiz Inácio Lula da Silva voltou a defender entendimento entre a Agência Internacional de Energia Atômica (AIEA), os países que integram o Conselho de Segurança da Organização das Nações Unidas (ONU) e o próprio Irã sobre a proposta de enriquecer o urânio em um terceiro país que seja neutro. Mas ressalvou que a disposição de desarmamento tem de ser cumprida por todos os lados, justificando que o Brasil tem “autoridade moral” para defender esta tese. “Pela Constituição brasileira, somos proibidos de fabricar armas nucleares. Portanto, o Brasil é um País que tem autoridade moral e política de lutar contra o desarmamento e de ser contra armas nucleares”, afirmou o presidente.
“O que nós queremos para o Irã é o que nós queremos para nós, é o que nós queremos para o mundo, na expectativa de que os países que já têm as bombas nucleares, que comecem a ir desativando também”, disse Lula, acrescentando que “esse negócio de eles ficarem pedindo (para desmontar arsenal de terceiros), sem desmontar o seu arsenal, vai perdendo autoridade moral”.
E emendou: “ou seja, faça o que eu mando, mas não faça o que eu faço. E isso a gente aprende desde pequeno. Então, é fazer o que eu mando e fazer o que eu faço. Todo mundo tem de fazer a mesma coisa. Desarmamento tem de ser total e absoluto e nós temos de caminhar para isso. Se o Brasil puder dar uma contribuição, pode ficar certo de que nós vamos dar”.
As declarações do presidente Lula foram dadas em entrevista no Itamaraty, após receber as credenciais de 15 embaixadores. Lula afirmou estar “muito otimista de ir ao Irã, de conversar com presidente Mahmoud Ahmadinejad, assim como com outros líderes, para que seja encontrada “a melhor saída” para o impasse. “O Brasil está empenhado nisso e não apenas o Brasil, que tem trabalhado junto com a Turquia nisso. Eu tenho conversado com os principais líderes do mundo a esse respeito e eu espero que a gente consiga”, declarou o presidente, que insistiu que está trabalhando para que “a proposta seja aceita pelos dois lados, porque seria tudo de que o mundo precisa, de paz, para se desenvolver, para crescer economicamente, e para melhorar a vida do povo”.
Lula chega a Teerã para o encontro com Ahmadinejad no dia 15 de maio à noite e fica três dias no país. De acordo com o presidente, o avanço que o Brasil quer conseguir, nessa viagem ao Irã, e nas conversas que tem feito com Irã, China, Índia, Rússia, Estados Unidos e França, é de garantir que haja paz no mundo. “É de garantir que haja uma política de desarmamento efetiva no mundo, com relação a armas nucleares”. Lula reiterou ainda que o Brasil defende o direito de produção de energia e de produção de remédios.
A tradicional e formal solenidade de entrega de credenciais no Itamaraty teve o cerimonial quebrado por um dos representantes da Lituânia que, para surpresa de todos, diante do presidente Lula, após o novo embaixador entregar suas credenciais, abriu uma mala e de lá retirou vários presentes. Começou com coloridos bonés e camisetas do país, passou por uma garrafa de vodca, cachecol colorido, livros e DVDs do país. Lula riu muito e posou com o boné lituano na cabeça, ao lado do embaixador, também com os apetrechos.