O presidente Luiz Inácio Lula da Silva disse hoje que continuará a defender que o Irã não sofra punições da Organização das Nações Unidas (ONU) por conta de seu programa nuclear. Lula comparou o Irã ao Iraque – citou que os Estados Unidos iniciaram uma guerra contra o país por conta de armas químicas que nunca existiram e disse que esse erro não pode se repetir. Lula cobrou ainda que haja diálogo entre o presidente dos Estados Unidos, Barack Obama, e o presidente do Irã, Mahmoud Ahmadinejad, e condenou a atitude de Obama de condenar o Irã antes mesmo de ouvi-lo.

Ontem, em Washington, Lula e o primeiro-ministro da Turquia, Recep Erdogan, se encontraram com Obama e tentaram convencê-lo a dar mais tempo ao Irã antes de aplicar as punições. Obama não se mostrou disposto a atender o pedido. “O que eu acho grave é que, até agora, o presidente Obama não conversou com o Irã. Nenhum presidente do Conselho de Segurança da ONU conversou com o Irã”, disse ele, em entrevista coletiva depois de participar do Congresso Brasileiro do Aço.

“Como já vi a guerra do Iraque acontecer por conta de armas químicas que a sociedade foi induzida a acreditar que existiam, e até hoje elas não existem, eu não quero que isso se repita com o Irã”, afirmou. “Como sou um homem de paz, vou lá tentar evitar que haja infração porque elas só criam mais animosidades.”

Lula disse que manterá sua visita ao Teerã, em maio, e que vai conversar com Ahmadinejad sobre o assunto. “Eu vou conversar olho no olho com o presidente e, se ele disser que vai construir (uma arma nuclear), vai arcar com as consequências do seu gesto”, afirmou. “Eu vou lá muito à vontade porque o Brasil é parceiro comercial do Irã. Quero dizer ao presidente do Irã que o Brasil é signatário das decisões da ONU e, portanto, é contra qualquer arma nuclear”, observou.

“Aliás, não é o Brasil que é contra, é a Constituição que proíbe as armas nucleares. Portanto, eu acho que o que o Brasil pode, o Irã deve poder também. Mais do que o Brasil poder, eu acho que o Brasil não deve querer.”

Conselho de Segurança

Representantes dos países membros do Conselho de Segurança da ONU (Estados Unidos, Grã-Bretanha, França, Rússia e China) e a Alemanha fizeram hoje uma segunda rodada de negociações sobre possíveis sanções contra o Irã na Organização das Nações Unidas (ONU), por causa da recusa da república islâmica em negociar seu programa nuclear.

Após três horas de conversas, os embaixadores da Rússia, Vitaly Churkin, e da China, Li Baodong, disseram que a discussão foi “muito construtiva”. O diplomata russo também disse que os países se encontrarão de novo “muito em breve”. O encontro ocorreu a portas fechadas na sede da ONU. Com informações da Associated Press.